Linkin Park une gerações e para a chuva em mais um espetáculo para São Paulo
São Paulo está marcada na história do Linkin Park. Quando veio à cidade pela primeira vez, em 2004, o grupo tinha acabado de estourar de fato para o público mundial, resultado da trinca de álbuns Hybrid Theory, Meteora e Live in Texas, até hoje amada pelos fãs. O show foi um dos maiores da carreira da banda até então, com um Morumbi lotado entoando seus primeiros sucessos.

Linkin Park fez show na cidade de São Paulo em 8 de novembro de 2025. Foto: Rafael Strabelli/Live Nation/Divulgação
20 anos depois, Mike Shinoda e companhia decidiram retornar à capital paulista, marcando show em São Paulo no dia exato do lançamento de From Zero, primeiro trabalho da banda desde a morte de Chester Bennington, em 2017. Enquanto as apresentações no Allianz Parque no ano passado pareciam uma espécie de teste para a então recém-contratada vocalista Emily Armstrong, a passagem do Linkin Park pelo MorumBIS neste sábado, 8, provou que, independente de sua formação, o sexteto segue com o poder de atravessar gerações.
Por mais que a maior parte de sua base de fãs hoje tenha entre 30 e 40 e poucos anos, o grupo viu o MorumBIS lotar com pessoas de todas as idades, com uma grande quantidade de pais levando seus filhos para ver a banda ao vivo pela primeira vez.
“Meu pai ouvia as músicas no carro e eu comecei a gostar”, diz Ana Júlia, de 11 anos, que foi ao MorumBIS ao lado dos pais Eduardo, 42, e Dulce, 46. “Gosto muito do ritmo e das músicas.”
Eduardo diz que começou a gostar de Linkin Park na adolescência. Depois de passar o amor pela banda à parceira, sua filha também herdou a paixão. “Ela quis vir de qualquer jeito! Ainda bem que estamos aqui agora, em família.”
Para o casal, os sentimentos expressos pela banda em suas letras e o próprio gênero do rock ajudaram a tornar o Linkin Park em algo atemporal, sentimento repetido por Ariane, 49, que foi ao show acompanhada da filha Melissa, 13. “Eu acho que eles misturam vários tipos de músicas, né? Rap, metal, techno. Acho que as letras falam muito das emoções humanas e isso atinge os mais velhos, os mais jovens, todo mundo.”
Fã de bandas como AC/DC e Metallica, Melissa começou a ouvir Linkin Park por causa dos pais, que têm os CDs da banda guardados em casa. Para a jovem, a fusão de gêneros e estilos do grupo é “a melhor coisa do mundo”, algo que muitos outros presentes no MorumBIS provavelmente concordariam.
Curiosamente, a dinâmica de apresentação da banda para outra geração se inverteu com os cariocas Mauro, 52, e Gabriel, 14: desta vez, o filho foi o grande responsável por fazer o pai se aprofundar na discografia do Linkin Park. “Eu sempre ouvi Linkin Park no carro dele, mas ele só ouvia as músicas mais famosas. Eu falei ‘isso é muito maneiro’ e comecei a escutar [as outras músicas]. Aí, ano passado, eu soube que a banda ia voltar, aí eu mostrei pra ele o álbum novo e ele gostou.”
Ligados pelas músicas “clássicas” da banda, pai e filho aprovaram a chegada de Armstrong. “Eu sempre falo isso para o Gabriel: mudou um pouco o Linkin Park [com ela], mas gosto muito da voz dela e das músicas novas. Eu sou fã do novo Linkin Park.”

Linkin Park fez show na cidade de São Paulo em 8 de novembro de 2025. Foto: Rafael Strabelli/Live Nation/Divulgação
Poppy esquenta noite fria no MorumBIS
Responsável pela abertura do show, a norte-americana Poppy colocou os fãs do Linkin Park para pular. Assim como a banda californiana, a cantora de 30 anos ganhou destaque por misturar diferentes gêneros em suas composições, que vão do heavy metal ao pop punk num simples compasso.
Acompanhada de uma banda de apoio mascarada, a artista fez do palco do MorumBIS um grande cartão de visita para os brasileiros que ainda não a conheciam. Ainda que seu tempo nos holofotes fosse limitado neste sábado, Poppy usou seu setlist de apenas oito canções para mostrar sua capacidade vocal, entoando melodias pop com a mesma facilidade com que soltava gritos primais, aquecendo corpos e corações do público em meio ao frio e a garoa.
Com nove trabalhos de estúdio lançados desde 2016, a cantora conquistou com facilidade o público de São Paulo, que em mais de uma ocasião gritou seu nome como se ela fosse a headliner do dia. Muito aplaudida por sua performance, Poppy subiria ao palco mais uma vez cerca de uma hora depois de se despedir, desta vez ao lado da atração principal.
Os céus se abrem para o Linkin Park
Com céu nublado e ameaça de chuva forte por todo o dia, o sábado felizmente trouxe apenas uma garoa ao MorumBIS, mas nada que pudesse desanimar os fãs fieis do Linkin Park. Felizmente, a chuvinha deu trégua minutos antes da banda entrar no palco e, assim que as primeiras notas de Somewhere I Belong começaram a soar, nenhuma gota se atreveu a cair até a pausa antes do bis.
Assim como foi em 2024, o Linkin Park montou uma setlist feita para agradar fãs de todas as fases da banda. Mesmo que algumas faixas esperadas como Crawling e Points of Authority tenham ficado de fora, a banda compensou com a inclusão de Lying From You, que não vinha sendo tocada em shows recentes, uma surpresa extremamente celebrada pelos ouvintes “das antigas”.
Armstrong está claramente mais confortável em seu papel como vocalista de uma das bandas de maior sucesso do século 21. Se no ano passado ela parecia ter que se provar diante de fãs que cresceram ouvindo os vocais de Bennington, hoje ela mostra um conforto e química com seus companheiros de banda que faz parecer que ela integra o Linkin Park desde o começo.
Passada a pressão de entrar numa fase completamente nova — nova formação, novo disco e nova turnê —, Shinoda também esteve mais livre no palco do MorumBIS do que estava no Allianz Parque. Se ele mantém sua tradição de descer para a grade para abraçar, presentear e cantar com fãs, ele também traz novidade ao arriscar assumir a mesa do DJ Joe Hahn para as primeiras notas de In The End.
O cantor e rapper também estava evidentemente agradecido ao público paulistano por mais uma recepção calorosa. Sorrindo ao longo das quase 30 músicas apresentadas, Shinoda fez brincadeiras como introduzir Numb com uma pegada disco — com direito a imitação aos Bee Gees —, reviveu músicas de seu projeto paralelo Fort Minor e até fez um chá revelação improvisado ao lado de Armstrong após uma fã pedir para que eles anunciassem o sexo da criança que espera.
A animação de Shinoda foi como gasolina no fogo do público, que cantou alto cada grito, rap e até algumas linhas de guitarra ao longo das mais de duas horas de show. De canções mais novas como Up From the Bottom a clássicos absolutos do Linkin Park como Faint, a plateia acompanhou apaixonadamente seus ídolos, que fizeram questão de agradecer os presentes toda vez que a oportunidade surgia.
Ao fim do segundo dos quatro atos planejados pelo Linkin Park, Poppy voltou ao palco, onde dividiu os desafiadores vocais de One Step Closer com Armstrong. Abusando das cordas vocais, as cantoras transformaram uma das linhas mais emblemáticas de Bennington em uma explosão catártica que deve ter sido sentida até por moradores dos arredores que não estavam no estádio.
No pequeno intervalo antes do bis, a garoa voltou a cair de forma leve, mas durou pouco. Mais uma vez, a chuva não se atreveu a atrapalhar o Linkin Park, que encerrou a noite com uma sequência formada pelas pesadas (e adoradas!) Papercut, Heavy Is the Crown e Bleed It Out, que há quase 20 anos serve como o número de encerramento da banda.
Encerrada mais uma ótima passagem por São Paulo — a sétima da banda —, o Linkin Park agora segue rumo a Brasília, onde se apresenta na Arena BRB Mané Garrincha, no dia 11.
Confira a setlist completa do show do Linkin Park em São Paulo:
Ato I
- Somewhere I Belong
- Lying From You
- Up From the Bottom
- New Divide
- The Emptiness Machine
Ato 2
- The Catalyst
- Burn It Down
- Cut The Bridge
- cover de Where’d You Go, do Fort Minor
- Waiting for the End
- Lies Greed Misery
- Two Faced
- When They Come for Me/ Remember the Name
- IGYEIH
- One Step Closer com Poppy
Ato 3
- Lost
- Good Things Go
- What I’ve Done
Ato 4
- Overflow
- Numb
- Over Each Other
- In The End
- Faint
Bis
- Papercut
- Heavy Is The Crown
- Bleed It Out



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