Grande incêndio florestal na Patagônia argentina está fora de controle e já destruiu 5.500 hectares
O principal incêndio florestal na Patagônia argentina consumiu mais de 5.500 hectares (o equivalente a cerca de 7700 campos de futebol) até este sábado, enquanto centenas de bombeiros e moradores voluntários trabalhavam incansavelmente para conter as chamas descontroladas que deixam pequenas comunidades da região em alerta. Os incêndios ocorrem apenas um ano depois dos piores incêndios florestais a atingir a Patagônia em três décadas, em uma série de eventos extremos que exercem pressão constante sobre os sistemas oficiais e comunitários de combate a incêndios.
- Condições adversas podem agravar chamas: área devastada por incêndios na Patagônia equivale a 5 mil campos de futebol
- Consequências: mais de três mil turistas são evacuados após incêndios florestais na Patagônia argentina
“Não há como descrever o que estamos vivenciando. Há incêndios por toda parte, um novo foco é relatado a cada 5 minutos. É o inferno”, disse Flavia Broffoni, moradora de Epuyén, neste sábado, em sua conta do Instagram.
Broffoni é uma das dezenas de moradores que trabalham incansavelmente para conter as chamas desde segunda-feira, quando o incêndio começou na cidade turística de Puerto Patriada, a cerca de 1.700 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires.
Apesar dos esforços de centenas de bombeiros, o incêndio devastou milhares de hectares de vegetação e cercou a pequena cidade de Epuyén, um vilarejo com pouco mais de 2.000 habitantes, situado entre um lago glacial e colinas cobertas por florestas nativas.
Incêndios florestais atingem a Patagônia argentina
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Mais de três mil turistas são evacuados após incêndios florestais na Patagônia argentina — Foto: Martin Levicoy/AFP
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O governador de Chubut, uma das províncias mais atingidas, afirmou que um dos maiores incêndios foi provocado intencionalmente — Foto: Martin Levicoy/AFP
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O incêndio começou nesta segunda-feira perto desta vila andina de cerca de 50 moradores permanentes e, em poucas horas, se alastrou rapidamente devido à seca e aos fortes ventos — Foto: Martin Levicoy/AFP
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Nesta quarta-feira, o incêndio já havia afetado pelo menos 2.000 hectares, informou o governo provincial em comunicado — Foto: Martin Levicoy/AFP
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O fogo “foi iniciado com um acelerante ou gasolina, o que determina que alguém realmente teve a intenção de iniciar o incêndio”, disse procurador — Foto: Martin Levicoy/AFP
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Governador anunciou uma recompensa de 50 milhões de pesos (cerca de R$ 184 mil) por informações que levem à descoberta do foco do incêndio — Foto: Martin Levicoy/AFP
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Além de Chubut, há incêndios florestais nas províncias patagônicas de Neuquén, Santa Cruz e Río Negro, e na zona sul de Buenos Aires, de acordo com a Agência Federal de Emergências — Foto: Martin Levicoy/AFP
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Os moradores da Patagônia andina têm lembranças terríveis de janeiro e fevereiro de 2025, quando quase 32 mil hectares foram consumidos pelo fogo — Foto: Martin Levicoy/AFP
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Centenas de bombeiros combatem o incêndio com o apoio de helicópteros e seis aviões-tanque — Foto: Martin Levicoy/AFP
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As altas temperaturas, os ventos fortes e a seca representam um cenário de risco no início de 2026, no verão do Hemisfério Sul — Foto: Martin Levicoy/AFP
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Fogo se alastrou rapidamente devido a seca e fortes ventos
O governador da província, Ignacio Torres, publicou no X que, devido às condições climáticas adversas previstas para o fim de semana, as “próximas 48 horas serão vitais” para conter o incêndio. Cerca de 3.000 turistas em Puerto Patriada e 15 famílias na região de Epuyén foram evacuados, especificou Torres. Mais de 10 casas foram destruídas pelo fogo.
“Não somos super-heróis”
A operação oficial envolve quase 500 pessoas, incluindo bombeiros, equipes de resgate, forças de segurança e pessoal de apoio. Durante o fim de semana, aeronaves de reforço e mais bombeiros são esperados da província de Córdoba (centro da Argentina) e do Chile.
“A situação é um pouco mais complexa, e isso desafia a forma como normalmente lidamos com incêndios florestais na Patagônia”, disse à AFP Hernán Ñanco, que integra a Brigada de Combate a Incêndios Florestais do Sul há nove anos.
O bombeiro afirmou que as mudanças climáticas na região andino-patagônica, com “temperaturas mais altas e umidade reduzida”, aliadas à substituição de florestas nativas por pinheiros, estão criando comportamentos do fogo mais difíceis de combater.
“Não somos super-heróis”, disse Ñanco, que explicou que às vezes sente “angústia” devido à falta de compreensão que percebe entre o público e as autoridades em relação a uma tarefa extremamente “mental e fisicamente desgastante”.
Outro problema enfrentado pelos bombeiros profissionais argentinos é a necessidade de conciliar vários empregos. Os cortes drásticos nos gastos públicos implementados pelo presidente ultraliberal Javier Milei reduziram o salário de um bombeiro para entre 600 mil e 900 mil pesos (cerca de R$ 2.192 e R$ 3.288).
“Não dá para viver com isso, pelo menos não na Argentina, e, na verdade, muita gente está indo embora porque os salários não acompanham o ritmo. A maioria dos meus colegas tem outros empregos”, disse Ñanco.
Além das instituições oficiais, a Patagônia conta com brigadas comunitárias na linha de frente. Essas brigadas, formadas por dezenas de moradores, aprenderam a defender suas florestas e casas devido aos incêndios recorrentes na região.
“As instituições estão sobrecarregadas, e nós também. O fogo é enorme e tem se comportado de maneira extremamente agressiva há dias. O esgotamento físico e mental nos levou ao limite”, publicou a Brigada Patagônica em suas redes sociais neste sábado. Assim como muitas outras, a brigada depende de doações para se financiar.
“Existem brigadas de voluntários com as quais nos damos muito bem e que, de fato, fazem um excelente trabalho em campo, principalmente no mapeamento e na conscientização”, disse Ñanco sobre os esforços colaborativos.
Além de Chubut, incêndios florestais estão queimando em diferentes estágios nas províncias patagônicas de Neuquén, Río Negro e Santa Cruz. Entre janeiro e fevereiro de 2025, a região sofreu incêndios que consumiram 32 mil hectares.



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