Maratona de Carnaval: em fase zen, Anitta se prepara para os ensaios no Rio
Na véspera de mais uma maratona dos agitados Ensaios da Anitta, o recolhimento agora faz parte do espetáculo. Do outro lado da chamada de vídeo com VEJA RIO, a cantora opta por não ligar a câmera — está em meio a um ritual de “limpeza energética”, incorporado à intensa rotina que antecede os shows. Aos 32 anos, ela vive uma fase mais zen e introspectiva, voltada para o autoconhecimento, e, para reencontrar os fãs cariocas na próxima terça (20) e no domingo (25), no gramado do Riocentro, há ainda uma série de ritos a cumprir: sessões de kundalini ioga, respiração e meditação, além de ginástica, dieta e trabalhos espirituais com seus orixás (Anitta é iniciada no candomblé). “É preciso disciplina diária para mudar um comportamento. Tento ser saudável e faço meu ritualzinho para entrar no palco com a energia dos chacras superativada”, explica a estrela pop, que, no último ano, passou bem mais tempo com os pés no Brasil, afastada da espiral de polêmicas e do circuito previsível das baladas de Miami, onde tem casa. “Estou ótima, plena”, garante.
Esse novo estado de espírito da artista que ajuda a dar o tom da farra momesca se traduz em pausas cuidadosamente escolhidas. Um mês antes de iniciar a sequência de onze apresentações pré-carnavalescas em todas as regiões do país, Anitta viajou aos alpes franceses com a família, o namorado, o empresário catarinense Ian Bortolanza, e amigos, como a cantora Lexa e a advogada e apresentadora de TV Gabriela Prioli, mãe de sua afilhada, de 3 anos. “Ava pedia para ela cantar músicas infantis o dia inteiro, e ela cantava, porque é amorosa e faz questão de estar presente”, conta Gabriela. Tudo faz parte da busca de Anitta para estar com a saúde mental em dia, fruto de uma virada de chave que começou em 2022, quando procurou a xamã e cosmoterapeuta mineira Max Tovar. No ano passado, ela gravou 33 meditações guiadas para o livro Musculatura da Alma, escrito por Max, que orienta famosas como Angélica e a ex-BBB Juliette, e festejou seus 32 anos com uma apresentação de Krishna Das — o chamado “mestre do canto do ioga americano” — no jardim de casa. Dias antes, Anitta havia cancelado a participação no festival americano Coachella, o que suscitou uma série de comentários nas redes afirmando que a xamã tinha, olhe só, proibido a artista de remexer o bumbum. “Isso é uma arrogância. A dança cura. Quando eu rebolo, coloco a energia no lugar certo e emano uma frequência muito mais positiva para o público”, rebate Anitta.

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A bordo de um look cravejado de brilho dourado, e remetendo ao signo de áries, ela, que nasceu em um 30 março em Honório Gurgel, Zona Norte do Rio, provou na estreia dos Ensaios da Anitta, em Belém, no último sábado (10), que segue imbatível no requebrado. Com mais de cinquenta músicas, o setlist mistura canções de seu EP mais recente, como Gostosin e Fala Quem É, com sucessos como Show das Poderosas, Vai, Malandra e Bellakeo, e ainda com clássicos do axé, ao estilo de Arerê, da Banda Eva, e Bola de Sabão, do Babado Novo. Nas incursões cariocas, ela dá pistas de que o figurino celebrará touro e gêmeos — no evento cujo tema deste ano é cosmos. “Amo esse universo da conexão espiritual. Os looks representam não só signos, mas crenças, planetas e constelações”, acredita Anitta, que em 21 de fevereiro promete arrastar às ruas uma multidão com seu megabloco — em 2025, o público estimado foi de 1,1 milhão de foliões no Centro. Não muitas horas depois, ela ainda será protagonista no Nosso Camarote, no Sábado das Campeãs da Marquês de Sapucaí.

Aguardado com ansiedade pelos anitters, seus ávidos fãs, o próximo álbum virá neste ano, ainda sem data certa, com lançamento inclusive no exterior. “Hoje, o foco da minha carreira é o Brasil, onde me sinto mais feliz, mas vamos passar por outros países porque é um desperdício não aproveitar tudo o que plantei e conquistei”, justifica a artista. Anitta acrescenta que já gravou mais de setenta músicas (algumas no estúdio que montou em casa) e o disco promete equilibrar diferentes gêneros — até, quem sabe, cantos sagrados. “Não é um álbum de mantras, pelo amor de Deus”, diz, com o humor em dia. O crítico musical Mauro Ferreira lembra que Anitta não pode fugir do reggaeton, ritmo que a consagrou internacionalmente. “Há uma pressão da gravadora para esse direcionamento”, avalia. “Aos olhos do mercado, ela é uma cantora latina, então precisa pensar além do Brasil”, arremata. Por ora, tem seis apresentações confirmadas após a folia, abrindo os shows do astro canadense The Weeknd na Cidade do México, no Rio e em São Paulo entre abril e maio.
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Ainda na infância, Larissa de Macedo Machado começou a dar sinais de que gostava de soltar a voz e estar num palco. Nessa fase, teve suas primeiras aulas de dança e cantava no coral da igreja. Em 2010, ao dar os primeiros passos junto à lendária Furacão 2000, foi rebatizada pelo DJ Batutinha de Anitta e, em 2012, veio o sucesso. As faixas Menina Má e Meiga e Abusada dominaram a internet numa época em que o streaming ainda engatinhava. No ano seguinte, já com contrato assinado com a multinacional Warner Music, estourou com Show das Poderosas. De lá para cá, foram sete álbuns de estúdio e exibições por todos os continentes, cravando números surpreendentes no mercado fonográfico (veja no quadro). “Ela quebrou a barreira do grande público e virou uma estrela pop, enquanto funkeiras que vieram antes ficaram restritas ao nicho”, contextualiza Mauro Ferreira. “Anitta é uma profissional estratégica e, a partir do terceiro disco, Bang!, tornou-se referência de música brasileira fora do país”, avalia. Não à toa, em 2023 foi indicada ao Grammy na categoria revelação, concorrendo com a jazzista americana Samara Joy e a banda italiana Måneskin.
Os contrastes entre vida pessoal e carreira inspiraram o documentário Larissa: o Outro Lado de Anitta, dirigido por João Wainer e Pedro Cantelmo, disponibilizado na Netflix em 2025. Na obra, a força da superstar que ganhou o mundo é posta lado a lado com suas vulnerabilidades e dilemas vividos fora dos holofotes, tudo costurado por uma narrativa que deixa entrever sua intimidade. “Ela é uma pessoa intuitiva dentro de casa e na trajetória artística. Acho que essa é sua maior qualidade”, analisa Felipe Britto, produtor-executivo que há uma década trabalha com a cantora e é CEO da Ginga Pictures, responsável por diversos de seus clipes. “A principal diferença entre as duas personas também é clara: a Larissa é superfamília, empática, está sempre disposta a parar o que está fazendo para ajudar um amigo. Já a Anitta é completamente focada. Quando está trabalhando, só olha para a frente, mirando o objetivo que pretende atingir”, afirma.

O hiperfoco no trabalho arrefeceu no último ano, e ela desacelerou. Sobrou tempo para investir no convívio familiar e (na medida do possível) no discreto romance com Ian Bortolanza. O casal completa um ano em breve, um recorde para Anitta, que não planeja ter filhos. “Não tenho nenhuma vontade de ser mãe. Nunca tive esse sonho, não congelei óvulos. Mas, se um dia acontecer, não serei contra”, diz. No campo estético, ela jura não se preocupar com a patrulha das redes e faz graça com as constantes mudanças no próprio rosto. “A gente colocou um desenho nesse copo porque a minha cara não estava pronta ainda, aí não daria tempo de fazer”, brincou, ao mostrar à plateia um dos itens da lojinha dos Ensaios da Anitta, em Belém. As tatuagens no braço, costas e costela foram apagadas porque quer fazer um ensaio de fotos “despoluído”. Ela desmente, aliás, rumores de ter tirado os desenhos das partes mais escondidas.

Consciente de suas escolhas, Anitta se tornou uma das principais vozes das causas ambientais, participando de reuniões com o cacique Raoni, o rei Charles e o príncipe William para discutir a emergência climática. “Me importo com o que muda a vida das pessoas”, vaticina. A defesa dos direitos humanos, dos povos indígenas e das mulheres também é prioridade. “É um absurdo as mulheres continuarem sendo assassinadas”, fala. Por ora, prefere não se posicionar em relação às eleições presidenciais de outubro — em 2022, esteve ao lado de Lula abertamente —, mas é a favor de manifestações em defesa da democracia. “Movimentos como os promovidos pela Paula Lavigne em Copacabana são em prol da população e da Justiça”, observa, sem deixar de dar um puxão de orelha no público. “A sociedade tem de aprender a usar a internet para se informar sobre o que faz o presidente, o governador. Não adianta se alienar e depois cobrar do artista que ele diga em quem vai votar”, encerra, toda poderosa. Anitta pode até estar mais na dela, mas sabe botar para quebrar como ninguém.
Show da poderosa
Os vultosos números da carreira da carioca
399 obras musicais registradas
30 países visitados em turnês
+200 prêmios conquistados na carreira
63 milhões de fãs no Instagram
35 milhões de ouvintes mensais no Spotify
Várias faces de Anitta
Adepta dos procedimentos estéticos, ela garante não ter medo de mudar








Solta o Som, DJ!
Músicas mais tocadas nos últimos cinco anos

Dançarina, com Pedro Sampaio. Lançado em 2022, o hit integra o primeiro disco de estúdio do cantor e DJ carioca. O funk, que ganhou remix no ano seguinte, tem uma batida envolvente e um refrão fácil de cantar.

Bang!. A música batiza o terceiro álbum da cantora, de 2015, e flerta com o pop. O clipe, com direção de arte do badalado Giovanni Bianco, conferiu à poderosa ares cool, mas sem perder o DNA de funkeira.

Envolver. A canção em espanhol, composta por Anitta e quatro parceiros em 2021, traz a levada do reggaeton, que consagrou a artista internacionalmente, e faz parte de Versions of Me, focado no público estrangeiro.

Show das Poderosas. A música alcançou todas as paradas de sucesso de 2013 e al – çou a cantora aos holofotes nacionais. Com levada pop, o hit é inspirado no som de divas internacionais como Beyoncé e Rihanna.

No Chão novinha. Mais uma parceria com Pedro Sampaio e com letra picante, foi disponibilizada no streaming em 2022, marcando a volta da cantora às raízes do funk depois da incursão internacional.
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