Dólar e Bolsa hoje (26); acompanhe as cotações – 26/01/2026 – Economia
O dólar fechou em leve queda de 0,13% nesta segunda-feira (26), cotado a R$ 5,279, com investidores se preparando para a primeira “Superquarta” do ano.
Ainda que o consenso do mercado aponte para uma manutenção nas taxas de juros do Brasil e dos Estados Unidos, operadores seguem ressabiados com o contexto das decisões. Aqui, a dúvida é sobre o início dos cortes na Selic; lá, sobre o ambiente institucional do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) em meio aos ataques do governo Donald Trump.
A cautela foi global. O dólar se desvalorizou ante uma cesta de seis moedas fortes e chegou ao menor valor em quatro meses neste pregão. Ao mesmo tempo, o ouro registrou uma nova máxima ao ultrapassar US$ 5.100 por onça.
Na Bolsa, o saldo do dia foi estabilidade. O Ibovespa fechou em variação negativa de 0,07%, a 178.720 pontos, interrompendo a sequência de máximas históricas.
Os olhos estiveram voltados, principalmente, para a decisão do Fed. Atualmente na banda de 3,5% e 3,75%, a taxa de juros norte-americana foi reduzida em 0,25 ponto percentual por três reuniões consecutivas, somando queda de 0,75 ponto ao todo.
A possibilidade de uma pausa no ciclo já havia sido aventada pelo presidente do Fed, Jerome Powell, na entrevista coletiva que sucedeu a decisão de dezembro.
“Gostaria de observar que, tendo reduzido nossa taxa de política monetária em 0,75 ponto percentual desde setembro e 1,75 ponto percentual desde setembro do ano passado, a taxa dos Fed Funds está agora em valor neutro e estamos bem posicionados para aguardar e ver como a economia evolui.”
A pausa já é consenso entre os operadores. Na ferramenta FedWatch, do CME Group, 97% deles apostam na manutenção; os 3% restantes preevem uma nova redução de 0,25 ponto.
A surpresa, no entanto, pode vir após a decisão. A provável manutenção dos juros vai na contramão do que o presidente Donald Trump tem pregado desde que assumiu o cargo: a redução brusca da taxa para até 1,5%.
O contexto, segundo analistas, é crítico. Powell se tornou alvo no início do mês de uma investigação federal relacionada a uma reforma da sede da instituição, orçada em US$ 2,5 bilhões. Ele reagiu publicamente antes mesmo do anúncio formal do inquérito, classificando-o como um pretexto para pressioná-lo a reduzir drasticamente os juros.
“Embora haja pouca dúvida sobre o resultado da reunião, as expectativas têm aumentado de que a retórica será agressiva devido a fortes dados econômicos e em resposta aos ataques de Trump à autonomia do Fed”, diz Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury.
Parlamentares republicanos, dirigentes de bancos centrais em todo o mundo e líderes do mercado financeiro saíram em defesa da independência do Fed após o inquérito contra Powell. Investidores apostam que o Fed conseguirá resistir às pressões da Casa Branca, mas o dano institucional pode ser profundo.
Conforme a escolha pelo novo presidente do Fed se avizinha —o mandato de Powell termina em maio—, o mercado teme que Trump opte por um chairman que responderá às suas demandas, e não aos dados econômicos.
Soma-se a isso as incertezas em torno do governo Trump. A escalada de tensões geopolíticas envolvendo a Groenlândia, a Venezuela e o Irã tem alimentado a estratégia de diversificação para fora dos mercados norte-americanos, na qual investidores estrangeiros optam por praças menos expostas às medidas do governo republicano.
A realocação de recursos resultou em uma entrada massiva de capital estrangeiro no país e à queda global do dólar, que está perdendo seu status de porto-seguro para investimentos.
O cenário doméstico dos Estados Unidos também preocupa. “O último tiroteio em Minnesota também pode impactar os mercados, pois aumenta o risco de outro fechamento do governo quando o atual acordo de financiamento expirar nesta sexta-feira”, diz Ryan, da Ebury.
Outro fator de atenção para o câmbio nesta semana é o Japão. Cresce a expectativa de que o banco central japonês intervenha no mercado para segurar a queda do iene, moeda no centro da estratégia de “carry trade” —quando investidores tomam empréstimos a juros baixos, como os japoneses, e apostam em países de taxas maiores para rentabilizar sobre a diferença de juros.
A possibilidade de uma intervenção no mercado cambial adiciona incerteza às carteiras.
Para mitigar a volatilidade, o BC realizou dois leilões de linha nesta manhã. Apenas US$ 1 bilhão foi vendido, do total de US$ 2 bilhões ofertados.
Aqui, a expectativa majoritária é que o Copom (Comitê de Política Monetária) mantenha a taxa Selic em 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vem sendo apontado como um fator de atração de recursos para cá, mantendo o dólar em níveis distantes dos R$ 6 nos últimos meses.
A manutenção em 15% ao ano deve ocorrer a despeito dos últimos dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que indicaram que a inflação está abaixo do teto da meta do BC.
“O comunicado do Copom deve manter um tom duro, reforçando o compromisso do BC com o cumprimento das metas de inflação, uma vez que as projeções de mercado ainda indicam apenas uma reancoragem parcial das expectativas e as pesquisas Focus mostram poucos avanços desde a reunião de dezembro”, diz André Valério, economista sênior do Inter.
A expectativa, porém, é que o Copom dê início ao ciclo de cortes na Selic no encontro seguinte, em março, considerando as projeções para a inflação.


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