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A merecida final peso pesado

A merecida final peso pesado

Ninguém jogou melhor na chave feminina deste Australian Open do que Aryna Sabalenka e Elena Rybakina. As rainhas do saque decisivo e dos golpes forçados irão assim repetir a final do torneio de três anos atrás, que marcou o primeiro troféu de Grand Slam e a grande arrancada da carreira para a bielorrussa. Nenhuma delas perdeu set até agora.

Personalidades muito distintas em quadra, uma emotiva e barulhenta, a outra introspectiva e de poucas palavras, Sabalenka e Rybakina já se cruzaram 14 vezes, com oito vitórias da número 1 do mundo. A cazaque ganhou a mais recente, a importante decisão do Finals de Riad, e isso só esquenta ainda mais o clima de indefinição.

Rybakina ainda é uma tenista que depende mais do primeiro saque. Já anotou 41 aces no torneio, quase o dobro dos 22 de Sabalenka, além de manter um índice elogiável de acerto do primeiro saque em seus seis jogos, na casa dos 74%. Já a bielorrussa se dedicou nos últimos tempos a deixar seu jogo mais versátil, com mais alternâncias de ritmo e velocidade.

A vitória sobre Elina Svitolina, no entanto, foi a seu melhor estilo. A duas vezes campeã soltou o braço o tempo todo e não deixou a ucraniana respirar, seja no ataque imediato após o saque ou nas devoluções forçadas. Vai em busca do quinto Slam, todos na quadra dura, em sua oitava final. A quarta decisão seguida em Melbourne repete Evonne Goolagong e Martina Hingis.

O momento é incrivelmente positivo para Rybakina, que embalou uma série de vitórias desde outubro que irão recolocá-la no terceiro lugar do ranking. Fez um jogo sólido contra Jessica Pegula até chegar na primeira chance de fechar a partida, no nono game do segundo set, e só então mostrou ansiedade, o que gerou riscos de a partida se estender.

Campeã de Wimbledon de forma inesperada em 2022, esperou três anos para voltar a uma decisão de Slam, novamente em Melbourne, após uma temporada 2025 em que não apareceu sequer nas quartas. O eventual título neste sábado cedinho marcará definitivamente uma grande volta por cima.

Desafios para Zverev e Djokovic

Carlos Alcaraz tenta atingir a única final de Grand Slam que lhe falta a partir de 0h30 contra o vice do ano passado, Alexander Zverev, enquanto Jannik Sinner vai atrás de sua terceira decisão seguida diante do recordista de títulos e finais em Melbourne, Novak Djokovic, às 5h30.

Desde 1968, no início da Era Aberta, os cabeças 1 e 2 perderam simultaneamente numa semifinal apenas quatro vezes, três delas em Melbourne. A mais recente foi no US Open de 2014, quando Marin Cilic tirou Roger Federer e Kei Nishikori surpreendeu Djokovic.

Ainda sem perder set no torneio e com atuações magistrais, Alcaraz é certamente favorito. Ele e Sascha estão empatados por 6 a 6 na carreira e por 2 a 2 nos Slam. O espanhol ganhou o mais recente confronto no piso veloz de Cincinnati, único duelo entre eles em 2025, e o alemão o eliminou nas quartas de Melbourne de dois anos atrás. Clima portanto de tira-teima e de revanche.

Sinner pode se tornar o primeiro jogador a ganhar seis vezes consecutivas de Djokovic, uma série que se arrasta desde 2023 e inclui a semi de 2024 no Australian Open, quando o sérvio tirou um set do italiano pela última vez. Desde então, perdeu todos os outros nove. O sérvio pode quebrar mais um recorde e se tornar o mais velho profissional a ser finalista do torneio, aos 38 anos e 255 dias.

Stefani adia sonho e Guto mira semi

A ótima campanha de Luísa Stefani e Gabriela Dabrowski no Australian Open, marcando o retorno da potente parceria, terminou num dia em que faltou segurar os nervos em momentos delicados. A derrota para Anna Danilina e Aleksandra Krunic foi assim um tanto dolorosa.

Chances não faltaram. Primeiro foram dois break-points perdidos antes do tiebreak do primeiro set, que foram ainda mais cruciais porque o desempate foi mal jogado pelo dueto da brasileira. Depois, veio a reação e 3/1 no terceiro set. Deixaram escapar dois games de serviço seguidos e aí ficou difícil, ainda mais porque Danilina fez uma ótima exibição. Mesmo com chance de empatar, Gabi não foi firme o bastante e as devoluções fizeram toda a diferença no game derradeiro.

As adversárias de Danilina e Krunic, que tentam o primeiro Slam da carreira, serão Elise Mertens e Shuai Zhang. A belga tenta o sexto Slam de duplas e o segundo com Zhang, com quem venceu Wimbledon de 2022. Ela tem também dois Australian Open, um deles ao lado de Sabalenka. A chinesa já levantou dois Slam e um Australian Open, em 2019, com Samanha Stosur.

O tênis brasileiro segue vivo com o goiano Guto Miguel, que ganhou a nona partida seguida da temporada e está nas quartas do Australian Open. Seu adversário será o parceiro de duplas, o esloveno Ziga Sesko, o que levou os dois a desistirem de tentar a semi lado a lado.

Contra Ntungamili Raguin, de Botswana, Guto oscilou. Começou atrás no primeiro set antes de reagir e depois viu o 4/1 no segundo set correr algum risco. De qualquer, ele se mostrou o tempo todo superior ao adversário, com mais winners e menos erros. E isso é tudo no tênis.

E mais

– Se Alcaraz e Sinner vencerem, será a primeira vez na Era Aberta que os dois principais cabeças de chave de um Slam fazem cinco finais consecutivas.
– Apenas os duetos Djokovic-Murray e Djokovic-Nadal conseguiram finais nos quatro diferentes Slam. Alcaraz-Sinner podem atingir essa rara marca nesta sexta-feira. E consecutivas.
– Alcaraz tem 10-6 em eventual final contra Sinner, mas 4-5 se der Djokovic. Zverev só possui saldos negativos (4-6 contra Sinner e 5-9 frente Djokovic).
– O sérvio tenta decidir ao menos um Slam por 17 temporadas. Ele só falhou em 2009, 2017 e 2025, quando fez quatro semis. A mais recente final foi Wimbledon de 2024.
– O britânico Neil Skupski chegou na única final de Slam que lhe faltava. O campeão de Wimbledon em 2023 e o norte-americano Christian Harrison tentam impediram festa da casa de Marc Polmans e de Jason Kubler, que foi campeão de 2022. Se erguer o troféu, Skupski voltará ao número 1.
– A Austrália também tem chance de sair com título nas mistas: os convidados Olivia Gadecki e John Peers decidem nesta sexta-feira contra os franceses Kristina Mladenovic e Manuel Guinard. Aos 32 anos, Mladenovic tenta o quatro Slam de mistas e o terceiro na Austrália.



Caio Rocha

Sou Caio Rocha, redator especializado em Tecnologia da Informação, com formação em Ciência da Computação. Escrevo sobre inovação, segurança digital, software e tendências do setor. Minha missão é traduzir o universo tech em uma linguagem acessível, ajudando pessoas e empresas a entenderem e aproveitarem o poder da tecnologia no dia a dia.

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