Vinicius “LokDog” Oliveira, lutador de Porto Alegre no UFC, faz combate decisivo que pode levá-lo ao top 10 do peso galo
Da academia discreta na Azenha aos holofotes do UFC, Vinicius “LokDog” Oliveira atravessa uma fase decisiva na carreira. Zero Hora acompanhou a rotina de treinos, os bastidores e a história do lutador porto-alegrense em um minidocumentário que revela o caminho percorrido até aqui e a preparação para um combate que pode levá-lo ao top 10 da categoria.
Treino intenso longe dos holofotes
Rua Professor Freitas e Castro, bairro Azenha, meio-dia. Entre oficinas mecânicas que se alinham pela via, há uma porta quase escondida. Quatro lances de escada separam o barulho metálico dos equipamentos automotivos de outro tipo de batida. Lá em cima, o som vem de punhos contra aparadores e sacos de pancada. O cheiro de óleo e escapamento dá lugar ao suor e à concentração.
É nesse ambiente discreto que o porto-alegrense Vinicius Oliveira, 30 anos, molda a própria carreira. Conhecido no octógono como “LokDog”, ele repete sequências de golpes, trabalha potência, treina finalizações e ajusta detalhes técnicos sob rotina cronometrada. Há tempo para atacar, tempo para recuperar o fôlego e tempo para recomeçar.
Luta decisiva no UFC
No próximo sábado (7), em Las Vegas, “LokDog” enfrenta o norte-americano Mario Bautista, adversário direto na categoria peso galo do UFC. Atual número 11 do ranking, o gaúcho encara o nono colocado após quatro vitórias consecutivas.
Entre elas está a joelhada voadora aplicada sobre o albanês Bernardo Sopaj, golpe que lhe rendeu indicação ao prêmio de Nocaute do Ano de 2024.
O combate marca sua primeira participação em uma luta principal dentro da organização. Uma vitória pode levá-lo ao top 10 da categoria e aproximá-lo de disputas ainda mais relevantes dentro da divisão.
A chegada ao UFC aconteceu em 2023, pelo Dana White’s Contender Series, reality show que oferece contrato aos atletas que mais se destacam. O nocaute sobre o mexicano Victor Madrigal chamou a atenção do próprio Dana White e garantiu sua entrada definitiva na organização.
— O meu plano B é o sucesso do plano A, que é vencer. E eu vou vencer essa luta — afirma o lutador.

Da periferia às artes marciais
A trajetória até o cenário internacional começou na Lomba do Pinheiro, onde Vinicius cresceu. A infância foi simples, marcada por dificuldades financeiras e episódios de bullying. Adolescente inquieto, encontrou na violência uma forma equivocada de extravasar frustrações.
O futebol surgiu como primeiro projeto de mudança, mas a frustração com um possível empresário encerrou cedo a tentativa. Pouco depois, uma briga de rua serviu como ponto de virada. Apesar de também ter batido, apanhou o suficiente para perceber que precisava direcionar aquela energia para algo disciplinado.
Foi quando as lutas entraram definitivamente em sua vida.
Os primeiros passos no esporte
A porta de entrada foi a academia Clube da Luta, ainda na Lomba do Pinheiro. Vinicius começou a treinar aos 16 anos e, sem condições de pagar mensalidade, ajudava na limpeza do tatame e na rotina do espaço para seguir treinando.
A evolução rápida levou-o a competições locais, onde conheceu o Team Sombra, equipe sediada na Azenha e onde permanece até hoje.
Para manter os treinos, percorria diariamente cerca de 34 quilômetros somando ida e volta entre a casa dele e a academia — a pé, de bicicleta ou transporte público. A distância nunca se tornou obstáculo maior do que o objetivo de vencer.
— O começo foi difícil. Não queria ter passado por tudo aquilo, mas acho que, se tivesse sido fácil, eu não teria a garra e a determinação que tenho hoje — recorda.

Disciplina dentro e fora do octógono
Hoje atleta de alto rendimento, “LokDog” segue rotina rigorosa. O dia começa às 6h e inclui treinos técnicos, musculação, exercícios funcionais, sessões de cardio e fisioterapia. Cada etapa é planejada para desempenho e recuperação física.
Mesmo com agenda intensa, ele preserva momentos simples fora do esporte. Após o primeiro treino, prepara o próprio café e passa alguns minutos no gramado de casa com as calopsitas Mika e Tokio, que convivem sem conflitos com Logan, o pitbull da família. Antes de retomar os compromissos, leva a filha à creche.
Pequenos rituais que, segundo ele, ajudam a manter equilíbrio diante da pressão competitiva.
Raízes que seguem presentes
Na casa onde foi criado, quase no limite entre Porto Alegre e Viamão, permanecem referências importantes para o lutador. Ali vivem os avós, Edgar de Matos, 86 anos, e Elisabete Prestes de Matos, 70, que participaram diretamente da criação de “LokDog”.
Eles lembram o neto como “muito bagunceiro”, em tom bem-humorado. No início, a escolha pelas lutas gerou preocupação.
— Como tu gostas de apanhar? Tu sabes que, entrando nisso, vai acabar apanhando também, né? — questionava o avô.
Com o tempo, a dúvida virou apoio incondicional. A rotina intensa nem sempre permite visitas frequentes, mas antes da viagem para Las Vegas Vinicius fez questão de encontrá-los. Mesmo à distância, eles acompanham cada combate.
— Eu vejo que ele vai ganhar. Eu vejo — diz a avó, confiante.
Serviço da luta



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