Entenda por que Rio Open não terá top 10 pela primeira vez; número 33 do ranking, João Fonseca será carro-chefe
Mais do que consolidado no calendário esportivo do Brasil e do tênis, o Rio Open começa para valer amanhã, com os primeiros jogos da chave principal e a aposta absoluta no carioca João Fonseca, terceiro cabeça de chave e número 33 do mundo. Aos 19 anos, o jovem tenista é o carro-chefe do torneio, que perdeu a grande estrela internacional do evento e não contará com nenhum top 10.
Há duas semanas, o italiano Lorenzo Musetti, atual quinto do ranking, anunciou sua desistência por lesão muscular sofrida nas semifinais do Australian Open. Dias depois, foi a vez do francês Gael Monfils, que está em sua temporada de despedida, abandonar a competição.
Não há dúvidas, porém, de que a quadra Guga Kuerten estará lotada por João Fonseca. Todos os ingressos foram vendidos, como sempre, antecipadamente. O carisma da sensação brasileira do tênis é capaz de manter a audiência em alta.
— Não trocaria o João por todos os top 10 do ranking — disse Lui Carvalho, diretor esportivo do Rio Open, durante o anúncio da lista do torneio.
A perda de Musetti, que também desistiu do Rio Open em 2025 por lesão, faz parte dos riscos do esporte. Porém, é certo dizer que a concorrência do torneio de Doha (Catar), que passou a ser ATP 500 no ano passado e é disputado na mesma semana da competição sul-americana, tem tornado mais difícil a vida dos organizadores do evento carioca.
Basta uma rápida olhada nas duas listas de simples. No torneio do Oriente Médio, os oito cabeças de chave fazem parte do top 20, sendo quatro deles top 10 (Carlos Alcaraz, Jannik Sinner, Félix Auger-Aliassime e Alexander Bublik) — Novak Djokovic, número 3, desistiu na semana passada. No Rio, o primeiro cabeça de chave é o argentino Francisco Cerúndolo, atual 19º do mundo, e, em seguida, vem o italiano Luciano Darderi (23).
Será a primeira vez que a chave principal do Rio Open começará sem um tenista entre os 10 melhores. Desde 2014, o principal torneio do continente viu pelo menos uma grande estrela internacional: Rafael Nadal por três vezes; Dominic Thiem em quatro edições; Carlos Alcaraz quase no topo do ranking; Alexander Zverev no ano passado; e Matteo Berrettini, que retorna em 2026 como 58º do mundo.
Dois motivos principais podem explicar a diferença: dinheiro e o piso/calendário. A diferença entre as premiações de Doha e do Rio não é tão significativa. O torneio árabe vai pagar ao campeão cerca de 530 mil dólares (cerca de R$ 2,6 milhões). O evento carioca desembolsa 461 mil dólares (R$ 2,4 milhões).
Porém, o poder econômico do Catar e seus patrocinadores faz diferença no momento de convencer os principais tenistas a fechar contrato com o ATP de Doha. Entre 2022 e 2024, Carlos Alcaraz, que trilhava o caminho rumo ao número um do mundo, recebeu cachê de milhões do Rio Open, o que assegurou a sua participação no torneio. Desde que o ATP de Doha passou a ser 500, o espanhol optou pela gira de quadra dura no Oriente Médio.
Esse é o outro fator que pesa na escolha dos tenistas. Na sequência de Doha, disputado em quadra dura, há dois torneios no mesmo tipo de piso (Dubai e Acapulco) que servem de preparação para o Masters 1000 de Indian Wells, na Califórnia, o primeiro da categoria na temporada, no início de março. Os principais atletas optam por um dos dois — ou por uma semana de descanso antes da competição nos Estados Unidos.
O saibro do Rio Open se insere na gira sul-americana, entre torneios 250 na Argentina, na semana passada, e no Chile. A escolha pelo piso de terra carioca, sem levar em consideração o fator financeiro, depende muito do planejamento do calendário dos tenistas.
E as dificuldades de manter uma lista com grandes nomes podem aumentar com a introdução do Masters 1000 da Arábia Saudita, que deve entrar no calendário em 2028. As datas não foram divulgadas, mas a tendência é de que o novo torneio seja em fevereiro, após Doha e Dubai. Segundo o La Nácion, o presidente da ATP, Andrea Gaudenzi, virá ao Rio para discutir a mudança da gira sul-americana para outubro ou novembro.
Outros brasileiros estarão em ação no Rio Open
Independentemente do peso da lista deste ano, o público encontrará no Rio Open um evento que transcende o tênis, com as inúmeras ativações dos parceiros do torneio, áreas gastronômicas e a expansão da área VIP. A organização também promete mais novidades tecnológicas nas quadras e nos telões.
A torcida pelos tenistas brasileiros vai ser ampla. Além de João Fonseca, que estreará contra adversário vindo do qualifying, a chave principal de simples conta com João Lucas Reis, Gustavo Heide (herdou vaga de Thiago Wild, que desistiu por lesão) e Guto Miguel, a jovem promessa de 16 anos que ganhou o wild card após a desistência de Monfils. O Brasil também estará representado por quatro duplas. A grande novidade será a parceria de Marcelo Melo com João Fonseca.



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