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Chuva: litoral paulista em alerta vermelho até sexta (27) – 23/02/2026 – Cotidiano

Chuva: litoral paulista em alerta vermelho até sexta (27) - 23/02/2026 - Cotidiano

A Defesa Civil do Estado de São Paulo renovou nesta segunda-feira (23) o alerta vermelho para acumulado de chuva em todo o litoral paulista até a próxima sexta (27), o que mantém alto o risco de novos deslizamentos de terra e alagamentos nos municípios que já estão sofrendo com esses eventos.

De acordo com o tenente Maxwel Souza, diretor de comunicação da Defesa Civil, a previsão é que chova até 175 mm em média nesse período, com possibilidade de ter volume ainda maior em alguns locais específicos.

Por enquanto, são esperados acumulados muito altos para Vale do Ribeira, Baixada Santista e litorais sul e norte. Já na Grande São Paulo, Vale do Paraíba, Itapeva, Sorocaba e Campinas, os acumulados devem ser altos, o que também podem gerar problemas para a população.

Com essa situação, o gabinete de crise do estado também será mantido até, pelo menos, na quinta-feira (26), para facilitar o deslocamento das equipes de resgate da Defesa Civil e dos bombeiros em caso de necessidade. Todos continuarão de prontidão.

Nesta segunda, a Defesa Civil também confirmou mais duas mortes relacionadas às chuvas registradas desde o início da Operação SP Sempre Alerta-Chuvas, em 1º de dezembro de 2025, totalizando 19 óbitos. Em todo o período da última operação, que dura quatro meses, foram 23 mortes registradas.

A 18ª morte foi de um bebê de 11 meses no dia 18, em Pirassununga, quando uma árvore caiu sobre sua casa. E a 19ª, um idoso que foi soterrado no desabamento da casa em Natividade da Serra.

O município mais atingido pelas chuvas nos últimos dias é Peruíbe, o único com desabrigados. Nesta segunda, são 213 moradores nessa situação, alocados em três escolas diferentes da cidade.

O tenente Maxwel explica que em vários bairros a água está com cerca de um metro de altura e não baixa porque continua chovendo e a maré está alta no mar, o que atrapalha o escoamento, uma vez que a cidade fica numa planície.

Desde sábado (21), Peruíbe registra acumulado de 282 mm de chuva, volume 46% maior que a média esperada para o mês de fevereiro, quando são previstos 192,7 mm de chuva.


Registro de chuva no litoral sul e Baixada Santista desde sábado

  • Peruíbe: 282 mm — 46% acima da média mensal, que é de 192,7 mm.
  • Praia Grande: 249 mm — 24% acima da média, que é de 199,9 mm.
  • Bertioga: 207 mm — volume equivalente à média esperada para o mês, que é de 206,7 mm.
  • Itanhaém: 198 mm — 5% acima da média, que é de 188,9 mm.
  • Guarujá: 168 mm — 83% da média, que é de 201,9 mm.
  • Mongaguá: 142 mm — 73% da média, que é de 193,2 mm.
  • Santos: 136 mm — 67% da média, que é de 203,2 mm.
  • São Vicente: 134 mm — 67% da média, que é de 199,9 mm.
  • Cubatão: 104 mm — 49% da média, que é de 211,7 mm.

Fonte: Defesa Civil do Estado de São Paulo


O diretor de comunicação da Defesa Civil também alerta a possibilidade de novos deslizamentos de terra principalmente no litoral norte paulista, onde algumas rodovias tiveram de ser interditadas devido a quedas de barreiras. A rodovia Oswaldo Cruz, por exemplo, já voltou a ter o tráfego normalizado às 11h30 desta segunda após a concessionária retirar a terra acumulada na via. O local estava bloqueado desde as 19h40 de domingo (22).

No início da tarde desta segunda houve a interdição preventiva das faixas 1 e 2 no Km 45 + 500, sentido sul, da rodovia Anchieta, em razão de uma queda de barreira. No local a concessionária faz uma obra emergencial e os carros são desviados para a pista norte. Não houve registro de congestionamento.

Na rodovia Presidente Dutra, na altura de São João de Meriti, no Rio de Janeiro, o problema é a enchente, que cobriu toda a pista e provocou a interdição. Alguns carros e ônibus ficaram presos no alagamento. Ainda não há previsão de liberação da via.

Às 17h30, a serra antiga da Tamoios permanecia interditada para garantir a segurança dos usuários, em virtude do alto volume de chuvas registrado na região. Segundo a concessionária Tamoios, não haverá liberação nesta segunda.

“Nossas equipes farão nova vistoria amanhã de manhã e a liberação dependerá da quantidade de chuva registrada nessa noite. O trânsito continua fluindo em operação comboio com Pare & Siga pela serra Nova. Até o momento, foram realizados 18 comboios permitindo o fluxo de veículos entre o litoral norte e o Vale do Paraíba”, destaca a empresa, em nota.

Houve cinco pontos de deslizamento de terra e pedras na serra antiga na noite de domingo. Na última atualização, a rodovia registrava congestionamento de 6,8 km no sentido litoral e 3 km no sentido São José dos Campos.

É preciso ter cultura de risco, diz tenente

O tenente Maxwel acredita que um dos fatores que precisam ser melhorados urgentemente para evitar as tragédias que se repetem no país é criar uma cultura de risco na população. Principalmente, nos moradores de áreas de risco.

“Quando se fala em Defesa Civil, em protocolos de proteção civil é o que se usa no mundo, em países como EUA, Alemanha e Japão. Veio aviso de furacão na Flórida, qual é o protocolo? É evacuação. Sai quem está numa mansão de US$ 50 milhões e em uma casa de US$ 50 mil. O risco aqui é mais direcionado para quem está no morro, que possui métodos construtivos mais frágeis. As pessoas precisam de fato evacuar. Sair temporariamente até o risco passar. Aí vamos avaliar e ver se podem voltar para casa”, diz Maxwel.

Ele diz que o melhor é que esses moradores de áreas de risco já deixem tudo pronto para quando receberem o aviso de evacuação. A indicação é manter os documentos todos juntos, em um saco plástico, assim como remédios de uso contínuo e uma muda de roupa para cada pessoa da casa. Além disso, o ideal é deixar o celular e uma lanterna sempre carregados.

“A atenção principal é para pequenas quedas de barreiras, pequenos pontos que despertam atenção especial para algo maior. É preciso sinalizar para os moradores das áreas de risco que a situação é crítica. Não negligencie os pequenos sinais do seu imóvel. Como o homem que foi soterrado em Natividade da Serra. A esposa contou que ele falou que o banheiro tinha desmoronado e ele ia para o quarto. Não! Tem de sair de casa. Se tivesse saído, não tinha sido soterrado”, diz o tenente.

“A gente não suporta mais lidar com isso. Aumentamos em 2000% nossos seguidores das redes sociais para criar essa cultura de risco.”

Caio Rocha

Sou Caio Rocha, redator especializado em Tecnologia da Informação, com formação em Ciência da Computação. Escrevo sobre inovação, segurança digital, software e tendências do setor. Minha missão é traduzir o universo tech em uma linguagem acessível, ajudando pessoas e empresas a entenderem e aproveitarem o poder da tecnologia no dia a dia.

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