Massive Attack faz retorno histórico ao Brasil
Precursora do trip-hop, a banda inglesa Massive Attack voltou ao Brasil após quinze anos e fez o Espaço Unimed, em São Paulo, tremer em uma noite guiada por arte, política e emoção, na última quinta-feira (13).
A apresentação integrou ações da Índigo (plataforma da produtora 30e) e reforçou que música e ativismo podem caminhar juntos. O público percebeu o clima especial já na entrada, pois um painel grandioso mostrava as pautas centrais daquela experiência coletiva. Além disso, a energia que crescia rapidamente deixava claro que o grupo preparava algo além de um show tradicional.
A campanha “A Resposta Somos Nós”, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), guiou a estética visual principal do show. Assim, muitos fãs entenderam rápido o peso simbólico e o chamado urgente daquela noite. A apresentação prometia impacto e, de fato, entregou uma experiência poderosa. Além disso, o público já se mostrava ansioso pela chance de reencontrar o grupo depois de tanto tempo.
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A expectativa se intensificou porque o público sabia que veria de perto a aclamadíssima cantora escocesa Elizabeth Fraser (Cocteau Twins) e o lendário Horace Andy, ambos colaboradores do Massive Attack de longa data. Como também não poderia faltar, a presença de Deborah Miller com seus vocais poderosos deixou os fãs encantados. A cada aparição, a plateia reagiu com entusiasmo e vibração intensa.
CAVALERA abre a noite
Os irmãos Iggor e Max Cavalera deram início à programação com um show do CAVALERA que resgatou clássicas pedradas do influente Sepultura. Sons como “Refuse/Resist“, “Nomad” e “Roots Bloody Roots” incendiaram a plateia, que fazia punhos para o ar acompanhando a intensidade da banda e abria rodas de mosh.
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Para muitos, a escolha do projeto CAVALERA como banda convidada foi algo inesperado e divergente da musicalidade do Massive Attack, mas ela definitivamente foi acertada.
O convite fez sentido porque os irmãos Cavalera sempre tiveram profunda conexão e respeito com a cultura dos povos originários brasileiros. Essa ligação ampliou o peso simbólico da abertura. Além disso, o clima criado pelo show deles ajudou a preparar o público para uma noite guiada por luta, memória e consciência.
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A presença indígena e o chamado urgente
Antes da entrada do Massive Attack, o palco se transformou em espaço de fala. Representantes indígenas do norte ao sul do país, como Dinamam Tuxá, Luana Kaingang, Alana Manchineri e Ângela Kaxuyana, ocuparam o centro da cena e reforçaram mensagens essenciais. Eles pediram mais proteção aos biomas e alertaram sobre os perigos da exploração contínua da terra. Além disso, convidaram a plateia a abraçar a causa.
A fala de Alana Manchineri ecoou forte. Ela lembrou que a luta indígena é a luta mãe e pediu que todos ajudem na preservação dos biomas brasileiros:
Nós queremos fazer um chamado para todos vocês. Que vocês tambem sejam a resposta para essa crise que nós temos enfrentado. A resposta somos nós, a resposta são vocês, a resposta somos todos nós. A luta dos povos indígenas é a luta mãe, pois o nosso território não pode cair. Se a Amazônia cair, o mundo cai. Nós temos segurado o céu e queremos que vocês estejam conosco segurando o céu junto. Que a Amazônia também seja parte da vida de vocês! Viva a Amazônia e viva todos os biomas!”
A plateia ouviu em silêncio e respondeu com aplausos longos. No fim, as lideranças ergueram bandeiras que representavam diversas causas e exibiram um cartaz que cobrava a homologação de mais terras. A cena marcou profundamente o público.
Pouco antes da banda subir ao palco, outro momento impactante surgiu no telão. Uma mensagem direta foi exibida para bilionários, mineradoras e fascistas. O aviso afirmava que o grupo era o som do mundo deles ruindo. O público reagiu com força e deixou claro que entendia o recado. O ambiente ficou ainda mais carregado de significado.
O espetáculo grandioso do Massive Attack
Como previsto, o show começou com “In My Mind” (cover de Gigi D’Agostino) e o telão exibiu imagens de vigilância e manipulação de dados. A banda entrou sob aplausos intensos e mostrou que estava pronta para criar uma apresentação memorável. A música abriu um caminho que equilibrava tensão, reflexão e beleza.
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Durante toda a noite, o telão projetou mensagens de apoio à Palestina, ao Congo, ao Sudão e a ativistas presos injustamente. Também surgiram críticas a nomes como Elon Musk, Vladimir Putin e Donald Trump. A banda reforçou que não separa política de arte. Além disso, lembrou ao público que a participação de todos é essencial para mudanças profundas.
O repertório passeou por fases da carreira e também incluiu covers que emocionaram os fãs, com camadas que misturavam nostalgia e novidade, como a presença de “Levels“, do saudoso DJ e produtor Avicii.
Com Horace Andy, vieram “Girl I Love You” e a adorada “Angel“. A resposta da plateia foi imediata e mostrou a admiração por sua voz histórica. Elizabeth Fraser, por sua vez, transformou o ambiente com sua voz angelical e serena em “Black Milk“, “Song to the Siren“, “Group Four” e a tão amada “Teardrop“. Muitas pessoas se emocionaram ao ouvir um dos maiores hinos dos anos 90. Já Deborah Miller brilhou em “Unfinished Sympathy” e “Safe From Harm“. As performances ampliaram a força emocional do espetáculo.
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A cada música, o público se tornava parte da narrativa política e sensorial criada pelo grupo. Muitas pessoas saíram do local visivelmente impactadas. Além disso, várias conversas estavam carregadas por reflexão após tantas mensagens fortes. O show funcionou como alerta, convite e celebração.
No fim, ficou claro que o Massive Attack entregou uma experiência rara, porém urgente e necessária. A banda uniu arte, protesto e emoção em um nível que poucos conseguem alcançar. Para muitos, foi o show do ano. E, depois de tanta intensidade, não há como discordar.
Setlist – Massive Attack
1. “In My Mind” (cover de Gigi D’Agostino)
2. “Risingson”
3. “Girl I Love You” (com Horace Andy)
4. “Black Milk” (com Elizabeth Fraser)
5. “Take It There”
6. “Future Proof”
7. “Song to the Siren” (cover de Tim Buckley, com Elizabeth Fraser)
8. “Inertia Creeps”
9. “ROckwrok” (cover do Ultravox)
10. “Angel” (com Horace Andy)
11. “Safe From Harm” (com Deborah Miller)
12. “Unfinished Sympathy” (com Deborah Miller)
13. “Levels” (cover de Avicii)
14. “Group Four” / “In My Mind” (com Elizabeth Fraser)
15. “Teardrop” (com Elizabeth Fraser)
Setlist – CAVALERA
1. “Refuse/Resist”
2. “Slave New World”
3. “Nomad”
4. “Amen”
5. “We Who Are Not as Others”
6. “Biotech Is Godzilla”
7. “Propaganda”
8. “Itsári” (solo de bateria do Iggor)
9. “Manifest”
10. “Territory”
11. “Roots Bloody Roots”
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