Alopecia androgenética: como tratar a doença que causou perda de cabelos em Maiara
A cantora sertaneja Maiara, que faz dupla com Maraisa, chamou a atenção do público recentemente ao compartilhar detalhes sobre sua saúde capilar. Em relatos que repercutiram nas redes socais, a artista revelou conviver com a alopecia androgenética, explicando que faz uso frequente de laces e extensões para lidar com a condição que provoca queda e redução de densidade dos cabelos.
— Cheguei num ponto onde eu já não tinha mais cabelo. O bulbo (a raiz do cabelo) não existia mais em alguns lugares — contou. — Eu não conseguia ligar a luz, não queria olhar no espelho. Não queria ver ninguém.
O desabafo da cantora serviu de alerta para mulheres que enfrentam problemas semelhantes, mas desconhecem a origem da condição. Trata-se de uma patologia crônica, que afeta a saúde capilar e pode causar uma redução significativa no volume dos fios.
De acordo com a Dra. Lana Becker Micheletto, dermatologista pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e tricologista pelo Hospital Albert Einstein, em São Paulo, a condição tem origem genética e hormonal e pode atingir qualquer pessoa.
— A alopecia androgenética provoca a queda de cabelo em homens e mulheres. Embora a calvície masculina seja mais conhecida, um percentual significativo de mulheres, especialmente após os 50 anos, também apresenta essa condição — explica a dermatologista.
Porém, diferentemente da alopecia masculina (calvície), geralmente mais demarcada, a alopecia feminina costuma ser difusa.
— Enquanto nos homens o foco se concentra nas entradas e na região da coroa, nas mulheres, o cabelo torna-se progressivamente mais fino, ralo e com menor densidade — esclarece a médica.
Diferenças e quadros que podem agravar a queda
Lana salienta a importância de diferenciar a alopecia androgenética de outras doenças alopécicas que também causam queda de cabelos. Segundo ela, o termo “alopecia” funciona como um guarda-chuva para diversas disfunções, divididas principalmente entre alopecias cicatriciais, quando o cabelo não volta a crescer, e alopecias não cicatriciais, grupo no qual a alopecia androgenética se enquadra.
Outro quadro comum é o eflúvio telógeno, que pode ocorrer simultaneamente à alopecia androgenética, agravando seus efeitos. Trata-se de uma forma de queda de cabelos difusa e temporária, que geralmente está associada a fatores como o uso de medicações, estresse e mudanças metabólicas e nutricionais.
No caso de Maiara, que relata conviver com a alopecia androgenética desde a juventude, a condição pode ter sido agravada por um episódio de efúvio telógeno ligado à perda de peso significativa pela qual ela passou nos últimos anos. Segundo a médica, o emagrecimento rápido é um fator de risco porque pode vir acompanhado de deficiências nutricionais, que agravam os efeitos da alopecia.
— Muitas pessoas possuem predisposição para a alopecia androgenética, mas a doença fica adormecida. O quadro é desencadeado somente quando elas são expostas a gatilhos, como estresse metabólico, infecções ou deficiências nutricionais — explica.
Prevenção
Para as mulheres, identificar o problema precocemente exige atenção a sinais sutis do cotidiano. A dermatologista aponta que a mudança na espessura do fio é um dos primeiros indicativos de que a condição genética está se manifestando.
— Nas mulheres, os sinais incluem a percepção de que o rabo de cavalo está ficando mais fino, além do aumento de fios caídos no travesseiro ou o aparecimento de entradas laterais ao prender o cabelo. Outro ponto a se observar é a queda de fios na sobrancelha — exemplifica.
A médica ressalta que nem toda queda de cabelo é sinal de alopecia. A queda fisiológica de aproximadamente cem fios ao dia é considerada normal, mas qualquer aumento fora desse padrão deve ser visto com atenção.
Entretanto, a especialista reforça que, embora exames genéticos possam identificar mulheres com maior risco e ajudar a planejar estratégias de prevenção, não existe uma forma de evitar totalmente o aparecimento da doença para quem tem predisposição — mas é possível, sim, frear a sua evolução.
Tratamento
O tratamento da alopecia androgenética é focado no controle hormonal e no estímulo ao crescimento dos fios. As opções englobam desde o uso de medicamentos até a aplicação de tecnologias.
— Dependendo da idade da paciente, utilizamos medicações que bloqueiam os receptores hormonais, como a espironolactona e a finasterida, ou até anticoncepcionais orais — detalha Lana, salientando que o tratamento exige indicação de especialista.
Além dos medicamentos de ação hormonal, substâncias de uso tópico como o minoxidil são frequentemente prescritas para estimular o crescimento e aumentar a densidade capilar.
Segundo a médica, tratamentos tecnológicos também têm ganhado espaço. São recursos como os lasers, que, com comprimentos de onda específicos, conseguem atuar no folículo piloso – estrutura da pele onde nascem os pelos e os cabelos – e ajudar a reduzir a inflamação.
Outra alternativa citada pela dermatologista é o microagulhamento, que permite a inserção de medicações diretamente no couro cabeludo da paciente.
— O mais importante é que a mulher busque a orientação de um especialista e saiba que existe tratamento — conclui.



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