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Black Ops 7 erra feio e dá tiro no pé

Em história mais megalomaníaca com ficção científica dentro da série, BO7 erra feio e deixa comunidade desapontada. -  (crédito: Reprodução/Activision Blizzard)

A maior franquia da Activision Blizzard volta em 2025 para o seu sétimo capítulo. Call of Duty: Black Ops 7 foi oficialmente lançado na última quinta-feira (13/11). O jogo de tiro, que é uma das maiores franquias dos games, vem sendo duramente criticado e comparado ao seu maior concorrente, Battlefield, que também recebeu uma nova interação este ano. Saindo do mundo tático e de espionagem que o sexto jogo tinha estabelecido, BO7 salta para 2035 em mistura ficção científica com uma trama onde um time de soldados deve lidar com seus medos internos.

Campanha e a pisada de bola 

 



Um dos chefes do modo campanha é o personagem de Michael Rooker em uma versão gigante.
(foto: Reprodução/Activision Blizzard)

Seguindo os eventos de BO6 e de BO2, a trama traz o Menendez do túmulo para servir como âncora inicial, contando que após 10 anos de sua morte, um novo vídeo surgiu com o terrorista se gabando de estar vivo e bem, e trazendo uma nova ameaça para seus inimigos jurados, prometendo um caos generalizado.

Sabendo disso, o filho de Alex Mason – Protagonista de Black Ops 2 – , David Mason, e sua equipe o Comando Conjunto de Operações Especiais – Joint Special Operations Command no original – (JSOC) vão em uma missão para caçar Menendez. Contudo, ao fim da missão o time é encurralado e drogado com um entorpecente poderoso que coloca os personagens em um mundo ilusório e surrealista. Então, a JSOC tem que lidar com os perigos daquele lugar e descobrir uma forma de sair de lá logo.

Diferentemente dos outros jogos da franquia, BO7 aposta em uma campanha cooperativa on-line, com cada jogador controlando um membro do JSOC. Só que, ao que parece, o investimento em transformar esse modo em uma aventura épica de ação com momentos memoráveis, como os outros títulos já tinham, ficou em segundo plano no planejamento do jogo. Me senti retornando ao mundo caótico de informação na tela, missões repetitivas, chefes sem graça e história completamente morna de: Suicide Squad: Kill the Justice League da Rocksteady. 

Parece muito que o jogo projetou-se para ser um novo Gears of War, com uma campanha cooperativa com personagens cativantes, mas o resultado saiu completamente pela culatra. Não me senti nem ao menos jogando um título de Call of Duty durante a campanha, já que o sistema da Campanha parece ter virado uma mistura de Destiny com Esquadrão Suicida. 

Dois exemplos podem concretizar o incômodo de forma melhor. O primeiro sendo uma simples mecânica que a franquia costumava ter e que a tornava um pouco – bem pouco mesmo – realista: a munição do jogo parece infinita. Em títulos anteriores, cartuchos de balas eram sempre um ponto a ser observado, senão o jogador era obrigado a recorrer a segunda arma, granadas ou em último caso ao ataque corpo a corpo.

Um “auxílio” do jogo dentro desta limitação era que inimigos derrotados largavam suas armas no chão, e aí o jogador podia trocar sua arma vazia por uma novinha. O problema é que em B07 os inimigos, além de bem genéricos e com classes de fraco, forte, e com escudo, não deixam cair nada no chão, a não ser uma munição universal para qualquer arma que o jogador esteja portando.

Ou seja, se você quiser manter a mesma arma do início da missão até o fim, pode. O jogo não vai te impedir, nem desafiar na hora do combate, já que, caso adquira uma habilidade com alguma arma que usou durante a missão e não quiser mudar, o título não vai se esforçar para tirá-la de você.

O segundo exemplo é o caos da mudança de missões. Toda vez que o jogador reintegra uma nova missão contínua, todas as suas habilidades e itens – armas, granadas e explosivos – são mudados. Então, caso você se adapte a usar um poder específico crente de que seguirá com ele durante a campanha, na missão seguinte o jogo substitui todos os seus itens, obrigando o jogador a se readaptar novamente até encontrar uma caixa de suprimentos para trocar seu equipamento. Sei que parece uma fala controversa dado o primeiro ponto, mas aqui não é só o caso da arma principal, são todos os itens e habilidades, parece até que o jogador escolheu outro personagem sem saber.

Nos mapas, parece que os desenvolvedores foram catando elementos dos outros títulos, para fazer “breves” homenagens, mas que não têm nenhuma consistência, saindo de uma floresta e magicamente indo para uma cidade, nem a desculpa de “mundo bizarro” faz comprar tamanha mudança abrupta de estrutura. E um deles até me fez questionar o que exatamente o modo quer tratar, já que existe uma missão em que os jogadores enfrentam uma leva de inimigos digna da saga Resident Evil, com insetos e aranhas gigantes. 

A verdade é que o modo campanha B07 não tem cara de Call of Duty. Parece uma mistura insana de Matrix com um shooter mediano. Bato novamente na tecla de que construir uma história surrealista dentro de um jogo de tiro do calibre da franquia, principalmente no modo campanha, foi um tiro no pé. Se acaso fosse um modo extra, assim como Zumbis, por exemplo, aí, tudo bem.

Sinto que a missão de BO6 que mostra a droga experimental, um dos pontos principais do jogo, ter viralizado nas redes sociais com o fato de eles canonizarem os zumbis no mundo real através das alucinações, motivou toda essa campanha que recebemos em Black Ops 7. O problema é que não foi uma ideia muito boa. 

Jogabilidade, Multiplayer e Zumbis

 


Os modos online sustentam muito da diversão do título.

Os modos online sustentam muito da diversão do título.
(foto: Reprodução/Activision Blizzard)

No mês passado, o Correio recebeu a beta do jogo, com os jogadores da versão premium e base do título, e falou sobre o medo do “futurismo” dentro da franquia e como esses modos estavam consistentes com as últimas interações da franquia, entregando tudo que os fãs gostam no título. Lá, nos aprofundamos em como funciona o modo multiplayer, a jogabilidade e o modo zumbis. 

Considerações finais


Nem a vilã da história salva o conteúdo, sendo rasa e sem propósito claro.

Nem a vilã da história salva o conteúdo, sendo rasa e sem propósito claro.
(foto: Reprodução/Activision Blizzard)

Call of Duty: Black Ops 7 será um marco na franquia. Negativo, mas um marco. Ainda mantenho a opinião de que o futurismo não estraga o potencial tático e repleto de ação da franquia, mas histórias ruins, sim. 

Utilizar uma campanha exclusivamente on-line, sem pause – Justamente por ser 100% on-line – sem checkpoints e ainda expulsar jogadores inativos é algo indefensável para uma franquia do tamanho de Call of Duty. Foi uma aposta arriscada de querer copiar outros jogos do gênero, e a reação dos fãs diz tudo: não deu certo. Agora é a hora da Activision pisar no freio e revisar o que deu errado e como melhorar, antes que seja devorada pelo monstro que ela mesma criou: jogos de tiro verdadeiramente bons. 

Call of Duty: Black Ops 7 está disponível para Xbox Series X|S, Xbox One, PC, PlayStation 5 e PlayStation 4.

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*Esta análise foi feita com uma cópia enviada pela Activision Blizzard Brasil para PlayStation 5.

  • Os modos online sustentam muito da diversão do título.

    Os modos online sustentam muito da diversão do título.
    Foto: Reprodução/Activision Blizzard


  • Nem a vilã da história salva o conteúdo, sendo rasa e sem propósito claro.

    Nem a vilã da história salva o conteúdo, sendo rasa e sem propósito claro.
    Foto: Reprodução/Activision Blizzard


  • Um dos chefes do modo campanha é o personagem de Michael Rooker em uma versão gigante.

    Um dos chefes do modo campanha é o personagem de Michael Rooker em uma versão gigante.
    Foto: Reprodução/Activision Blizzard


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Caio Rocha

Sou Caio Rocha, redator especializado em Tecnologia da Informação, com formação em Ciência da Computação. Escrevo sobre inovação, segurança digital, software e tendências do setor. Minha missão é traduzir o universo tech em uma linguagem acessível, ajudando pessoas e empresas a entenderem e aproveitarem o poder da tecnologia no dia a dia.

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