×

Confira como se comporta a Lua nesta semana

Confira como se comporta a Lua nesta semana

A Lua entra na fase crescente na madrugada desta segunda-feira e dá início a uma sequência de fenômenos que tornam a última semana de janeiro especialmente interessante para observadores do céu. Até sexta-feira, o satélite natural da Terra protagoniza encontros com estrelas e planetas, passa mais perto do nosso planeta e participa de uma ocultação estelar — fenômeno popularmente comparado a um “eclipse”.

  • Radiotelescópios na Lua podem ampliar em dez vezes a observação direta de buracos negros; entenda
  • Misteriosa barra de ferro surge no coração de Nebulosa do Anel e intriga astrônomos

Na terça-feira, a Lua faz uma visita às Plêiades, um aglomerado estelar aberto localizado a cerca de 444 anos-luz da Terra e conhecido também como Messier 45 (M45) ou “As Sete Irmãs”. Trata-se do objeto Messier mais próximo do nosso planeta e um dos mais proeminentes do céu profundo, com magnitude aparente de 1,6. O catálogo Messier reúne regiões do céu profundo inventariadas pelo astrônomo francês Charles Messier e publicado originalmente em 1771.

Visível como uma mancha azulada próxima ao “ombro” da constelação de Touro, o aglomerado costuma aparecer a olho nu como um pequeno conjunto de seis estrelas em destaque, embora telescópios revelem mais de cem estrelas entre as mais de mil estimadas. Segundo o guia de observação In-The-Sky.org, a aproximação máxima entre a Lua e as Plêiades ocorre às 18h29 (horário de Brasília), quando estarão separadas por apenas 1 grau e 54 minutos de arco. Nesse instante, porém, a observação pode ser dificultada pelo brilho do Sol. Após o anoitecer, entre cerca de 19h30 e 0h43, o par poderá ser visto bem próximo no céu ao norte.

Na ocasião, a Lua estará 76% iluminada, com magnitude de -12,4, enquanto as Plêiades terão magnitude de 1,3 — valores que seguem a escala inversa de brilho usada na astronomia: quanto menor o número, mais brilhante é o objeto. Embora não caibam juntas no campo de visão de um telescópio, Lua e Plêiades poderão ser observadas a olho nu ou com binóculos.

  • Protocolos inéditos: Astronautas da Nasa relatam bastidores de emergência médica no espaço que levou a retorno antecipado à Terra

Na manhã de quinta-feira (29), a Lua protagoniza outro destaque ao ocultar a estrela Beta Tauri, também conhecida como Elnath, a segunda mais brilhante da constelação de Touro. O fenômeno, que lembra um pequeno “eclipse”, ocorre quando a Lua passa exatamente à frente da estrela. Com magnitude aparente de cerca de 1,65, Elnath está localizada na ponta de um dos chifres do Touro.

Beta Tauri fica a aproximadamente 134 anos-luz da Terra e é uma gigante azul-branca do tipo B, já tendo consumido grande parte do hidrogênio de seu núcleo. Segundo astrônomos, ela está entrando na próxima fase de sua evolução, expandindo e esfriando até se tornar uma gigante vermelha. Sua temperatura superficial chega a cerca de 13.600 kelvins, muito acima dos 5.800 kelvins do Sol. De acordo com a revista Sky & Telescope, o nome Elnath vem do árabe e significa “a cabeçada” ou “o que empurra com os chifres”, referência direta à sua posição na constelação.

A ocultação ocorre entre 5h52 e 9h54, mas não será visível do Brasil. Esse tipo de evento só pode ser observado a partir de regiões específicas do planeta, devido à grande paralaxe lunar — a variação da posição aparente da Lua conforme o local de observação na Terra. Dependendo do ponto do globo, a posição do satélite pode variar em até dois graus no céu.

  • Entenda: Apesar de histórico de falha em nave, Nasa se prepara para missão que levará astronautas mais longe da Terra do que nunca

Ainda na quinta-feira, às 18h45, a Lua atinge o perigeu, o ponto mais próximo da Terra em sua órbita. Segundo o In-The-Sky.org, a distância entre Lua e Terra varia porque sua órbita é levemente elíptica, oscilando entre cerca de 356.500 quilômetros no perigeu e 406.700 quilômetros no apogeu. Nesse momento, o tamanho angular da Lua pode variar entre 29,4 e 33,5 minutos de arco, e o satélite pode parecer até 14% mais brilhante, embora essa diferença seja difícil de perceber a olho nu.

A “agenda lunar” da semana se encerra na sexta-feira (30) com uma conjunção entre a Lua e Júpiter. O encontro ocorre às 23h29, quando a Lua passa pouco mais de 3 graus ao norte do gigante gasoso. Para observadores em São Paulo, o par poderá ser visto já às 19h09, a cerca de 21 graus acima do horizonte noroeste, permanecendo visível até cerca de 3h18 da madrugada. Ambos estarão na constelação de Gêmeos, com magnitudes de -12,7 para a Lua e -2,6 para Júpiter.

Essas conjunções mensais acontecem porque a Lua orbita a Terra aproximadamente no mesmo plano em que os planetas orbitam o Sol, conhecido como plano da eclíptica. Em fevereiro, o satélite natural volta a se alinhar apenas com Mercúrio, no dia 18, e novamente com Júpiter, no dia 27 — dando sequência à sua regular, e sempre movimentada, turnê pelo céu.

Caio Rocha

Sou Caio Rocha, redator especializado em Tecnologia da Informação, com formação em Ciência da Computação. Escrevo sobre inovação, segurança digital, software e tendências do setor. Minha missão é traduzir o universo tech em uma linguagem acessível, ajudando pessoas e empresas a entenderem e aproveitarem o poder da tecnologia no dia a dia.

Publicar comentário