×

Criador de Attack on Titan não acredita conseguir criar algo semelhante novamente

Criador de Attack on Titan não acredita conseguir criar algo semelhante novamente

Hajime Isayama, o autor de Attack on Titan (Shingeki no Kyojin), enviou uma mensagem surpresa durante o evento de apresentação da reestreia do filme Attack on Titan: The Last Attack, realizado a 9 de janeiro em Tóquio. As suas palavras deixaram fãs e elenco com sentimentos contraditórios ao revelar que já não desenha regularmente e que não acredita ser capaz de criar outra obra do mesmo calibre.

O evento contou com a presença do elenco principal, liderado por Yuki Kaji (voz de Eren Jaeger), Yui Ishikawa (Mikasa Ackerman) e Marina Inoue (Armin Arlert), além do diretor Yuichiro Hayashi. Enquanto partilhavam memórias sobre a produção, o apresentador surpreendeu todos ao ler uma carta escrita pelo mangaká.

Isayama afirmou: “Já passaram anos desde que o mangá e o anime terminaram, e agora não estou a trabalhar. De vez em quando faço ilustrações ou assino autógrafos quando me pedem, e ajudei no projeto Soyogi do Kaji-san, mas já não desenho no dia a dia”.

O mangaká esclareceu que não leva uma vida ociosa: “No entanto, definitivamente não estou a levar dias de autodestruição, mas sim dias ocupados. Só quero que acreditem nisso. Estou a viver um quotidiano muito distante da vida NEET que sonhava durante a serialização”.

“Esgotei tudo até ficar completamente vazio”

A confissão mais impactante veio quando Isayama falou sobre o seu futuro artístico. “No entanto, mesmo que não estivesse ocupado, não acho que conseguisse desenhar algo como Attack on Titan novamente. Se tentasse escrever algo, pareceria apenas um recorte de um elemento que já desenhei na série. Acho que foi uma primeira serialização onde tirei tudo até ficar completamente vazio”.

Estas palavras ecoam uma realidade que muitos criadores enfrentam após concluírem uma obra monumental. Attack on Titan, conhecido no Japão como Shingeki no Kyojin, foi publicado na revista Bessatsu Shonen Magazine da Kodansha entre 2009 e 2021, acumulando mais de 140 milhões de cópias vendidas em todo o mundo.

Após a leitura da mensagem, Yuki Kaji partilhou que se reuniu privadamente com o autor no ano passado: “Encontrei-me com ele e estava com boa saúde”, revelou o ator de voz, demonstrando empatia pela imensa pressão que Isayama deve ter sentido ao criar um sucesso mundial desde o zero.

A mensagem final de Isayama incluiu agradecimentos aos atores de voz e ao staff do anime, demonstrando a gratidão do autor por todos os envolvidos em dar vida à sua obra.

Uma primeira serialização que definiu uma geração

A obra de Isayama é um mangá de fantasia sombria que se centra numa humanidade à beira da extinção, refugiada atrás de muros gigantes para se proteger dos Titãs, seres devoradores de homens. O que começa como uma luta pela sobrevivência evolui para uma complexa trama política e bélica que definiu uma geração de leitores e espectadores.

O mangá terminou a serialização em abril de 2021, com o capítulo final a ser publicado na edição de maio da revista. A série anime estreou em 2013 e o episódio final da foi transmitido em novembro de 2023. Em Portugal o mangá é publicado pela Distrito Manga.

As declarações de Isayama revelam o custo criativo de produzir uma das obras mais influentes do século XXI. O mangaká transformou Attack on Titan numa franquia global que transcendeu o meio do mangá, gerando múltiplas temporadas anime, filmes live-action, videojogos e merchandising incontável.

A honestidade brutal do autor sobre não conseguir replicar o sucesso de Attack on Titan não é incomum na indústria. Muitos criadores de mangá enfrentam desafios semelhantes após concluírem obras que consumiram anos das suas vidas. A pressão para igualar ou superar o sucesso anterior pode ser paralisante.

Isayama tinha anteriormente mencionado em entrevistas que Attack on Titan representou tudo o que queria dizer como criador naquele momento da sua vida. As suas palavras no evento de janeiro reforçam essa perspetiva, sugerindo que a obra foi verdadeiramente uma expressão completa da sua visão artística.

Fim de Attack on Titan op screenshot 1

Apesar de Isayama ter cessado a produção regular de mangá, o legado de Attack on Titan continua a crescer. A série influenciou inúmeros criadores subsequentes e mantém-se como uma das propriedades intelectuais mais valiosas da indústria do anime e mangá.

O anime recebeu aclamação crítica consistente ao longo da sua produção, com o estúdio MAPPA a assumir a animação das temporadas finais após o WIT Studio ter produzido as primeiras três temporadas. A transição entre estúdios foi inicialmente controversa entre fãs, mas a qualidade manteve-se elevada até ao episódio final.

A complexidade temática de Attack on Titan, que aborda temas como liberdade, determinismo, ciclos de violência e a natureza da guerra, elevou a obra para além do típico mangá shonen. Críticos e académicos têm analisado a série sob múltiplas perspetivas, desde filosofia política até estudos sobre trauma coletivo.

Caio Rocha

Sou Caio Rocha, redator especializado em Tecnologia da Informação, com formação em Ciência da Computação. Escrevo sobre inovação, segurança digital, software e tendências do setor. Minha missão é traduzir o universo tech em uma linguagem acessível, ajudando pessoas e empresas a entenderem e aproveitarem o poder da tecnologia no dia a dia.

Publicar comentário