De contratações a demissão de amigos: como trabalho de Klopp na Red Bull virou maior do que o esperado
A chegada de Jurgen Klopp à rede esportiva da Red Bull como “diretor global de futebol” chocou o mundo dos esportes. O alemão sempre foi conhecido por ser passional e ter uma conexão muito sincera com torcidas muito tradicionais – como a do Liverpool e do Borussia Dortmund – e agora estaria integrando um conglomerado amplamente considerado “artificial” pelos fãs.
O portfólio de clubes da Red Bull está entre os mais abrangentes do futebol mundial: há o Red Bull Bragantino, o RB Leipzig (Alemanha), o RB Salzburg (Áustria) o New York Red Bulls (Estados Unidos) e o RB Omiya Ardija (Japão) – a empresa ainda comprou participações no Paris FC (França) e no Leeds United (Inglaterra) em 2024.
A maioria desses clubes não é considerado grande ou mesmo tradicional, e por isso mesmo a chegada de uma das figuras mais passionais do esporte ao conglomerado causou tanto estranhamento entre os fãs.
Klopp, por sua vez, garantiu que ele estaria ocupando um cargo meramente simbólico, tendo um trabalho de aparecer em fotos e dar apertos de mão. Na prática, o alemão começou a aparecer nos treinos do RB Leipzig e se envolveu nas negociações de transferências do clube.
A uma semana de completar seu primeiro aniversário com o gigante da bebida energética, é justo dizer que o ex-técnico exerce uma função muito maior do que ele mesmo propagandeou na sua chegada. E isso é só o começo.
Do banco de reservas ao vestiário à sala de reuniões
“Conversei com [Klopp] ao telefone por cerca de duas horas”, disse Johan Bakayoko após chegar no Leipzig, vindo do PSV. “Falamos sobre tudo, e achei que ele realmente entende de futebol”.
Klopp não estava apenas dando um aperto de mão na assinatura do contrato do ponta belga. Ele havia trouxe o Bakayoko para Leipzig apesar de vários outros pretendentes estarem interessados no jogador.
“Claro, ele entende de futebol, e eu tive a sensação de que ele realmente sabia o que deveria ser feito para me levar aonde eu quero estar”, acrescentou Bakayoko. “E isso teve um grande impacto em mim”.
No final, o Leipzig pagou uma taxa de transferência de 18 milhões de euros (R$ 112,5 milhões) para completar a contratação, embora o jovem de 22 anos tenha registrado apenas três gols em seus primeiros 786 minutos de futebol pelo clube alemão.
Bakayoko foi, sem dúvidas, a principal contratação do Leipzig em meio a uma grande leva de movimentações. Depois de perder Benjamin Sesko para o Manchester United, Lois Openda para a Juventus e Xavi Simons para o Tottenham, o clube da Bundesliga gastou cerca de 92 milhões de euros (R$ 575 milhões) em jogadores com 22 anos ou menos: Bakayoko, Yan Diomande, Conrad Harder, Ezechiel Banzuzi e Andrija Maksimovic.
Até agora, isso tem se mostrado um ótimo negócio. O clube ocupa a quarta posição na Bundesliga, apenas três pontos atrás do Borussia Dortmund, após decepcionar e terminar a última temporada em sétimo.
Essa campanha ruim teve consequências. Em março, o Leipzig demitiu o treinador Marco Rose.
Rose jogou 157 partidas sob a tutela de Klopp no Mainz 05 entre 2002 e 2008. Apesar de terem uma relação de duas décadas, o alemão acabou apoiando a decisão de demitir seu ex-subordinado.
Do outro lado do oceano, quando o New York Red Bulls dispensou o treinador Sandro Schwarz no final da temporada de 2025 da MLS, um veículo de imprensa esportiva alemão publicou a manchete “Klopp manda seu amigo embora”.
Assim como Rose, Schwarz jogou sob o comando de Klopp no Mainz, e os dois são bastante próximos. Como os últimos 12 meses ilustraram, esses relacionamentos não protegeram os amigos do ex-técnico da reprovação e demissão por parte da organização maior da Red Bull.
As demissões de Rose e Schwarz, no entanto, não significam que Klopp não esteja interessado em estar cercado por rostos familiares. Para a vaga que se abriu no Leipzig, Klopp se aproveitou da demora na procura por um substituto e escolheu Jürgen Kramny para o trabalho – mais um ex-jogador dos seus tempos em Mainz.
Kramny treinou o Stuttgart e o Arminia Bielefeld entre 2015 e 2017, mas estava fora dos holofotes antes de se juntar ao Leipzig. Ele treinou uma equipe da quinta divisão na temporada passada
“Por que ninguém tinha o Treinador X, que consegue terminar em 12º [com um time] com o qual outros teriam sido rebaixados, no seu radar?” Porque não olhamos [de perto],” Klopp explicou sua decisão de contratar um olheiro de técnicos.
Criar novos papéis e melhorar a estratégia geral dos esforços futebolísticos da Red Bull, juntamente com longas discussões sobre possíveis contratações, têm sido o propósito central de Klopp.
Tais responsabilidades se alinham perfeitamente com seu desejo de construir coisas, que foi o que fez no Mainz, no Dortmund e no Liverpool. Todos eles passavam por péssimas fases antes de Klopp assumir os times, e ele até iniciou uma segunda reconstrução em Anfield antes de fechar aquele capítulo lendário de sua carreira.
No entanto, embora o alemão geralmente enérgico parecesse esgotado no final de seu mandato no Liverpool, é difícil imaginar que Klopp permanecerá uma figura de diretoria pelo resto de sua carreira. Embora um retorno à Anfield pareça improvável, há muitos outros clubes de renome que estariam interessados em seus serviços.
Quando Klopp se juntou ao Red Bull, foi indicado que ele poderia deixar seu cargo se surgisse uma grande oportunidade – como treinar a Alemanha, por exemplo. Se tal saída ocorresse de forma tranquila é outra questão. Mintzlaff aparentemente espera que Klopp não tenha desejo de deixar a empresa.
“Jürgen deixou claro que não quer ser treinador no momento,” disse Mintzlaff. “Claro, pode ser que isso mude ao longo da vida dele”.
Mintzlaff enfatizou que Klopp tem muitas ideias e pretende evoluir muitas coisas na Red Bull. Isso é uma bênção para a empresa porque, ao contrário da Fórmula 1, o gigante das bebidas energéticas ainda está lutando por aceitação no mundo do futebol, especialmente na Europa.
Quanto a Klopp, ele pode não estar na vanguarda do futebol como estava há mais de uma década, mas ele ainda é o mesmo. E é difícil imaginar que ele não voltará ao banco de reservas mais cedo ou mais tarde.



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