De Lula a Mestre Sacaca, primeira noite termina com certo ar de 0 a 0
Pode ser a direita, a esquerda, o centro, o muro, os aventureiros em busca de holofotes, os merecedores de estar ali – quando atravessarem aqueles mágicos 800 metros, serão todos igualmente mastigados e digeridos à moda Sapucaí. Assim toca a banda no altar dos bambas, dimensão paralela da vida real de crises políticas, preferências eleitorais – e mesmo da lei em vigor no resto do país.
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E aí que a noviça Acadêmicos de Niterói viveu o privilégio de abrir a noite dos desfiles de 2026, com sua controversa homenagem a Lula. O homem foi lá ver, beijou bandeira, seus adeptos desfilaram, o palco mais importante da cultura brasileira o celebrou – mas a Constituição ali não tem emenda: o destino da Niterói deverá ser o retorno à Série Ouro, na Quarta-Feira de Cinzas.
Carnaval 2026: Veja fotos do desfile da Mangueira
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Desfile da Mangueira — Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
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Desfile da Mangueira — Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
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Desfile da Mangueira — Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
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Desfile da Mangueira — Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
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Desfile da Mangueira — Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
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Desfile da Mangueira — Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
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Desfile da Mangueira — Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
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Os muitos debates e notas oficiais, os inúmeros palpites e angústias, a cachoeira de vaticínios e especulações – tudo se esvaneceu num desfile iniciado pela comissão de frente galhofeira, com versões carnavalescas de Lula, Dilma e Temer lutando pela faixa presidencial até que ela parar com… o palhaço Bozo de terno. Depois, o primeiro terço da apresentação ainda mostrou carros imponentes, bonitos e bem iluminados, sobre as origens do presidente.
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Como a maioria das crises políticas, não durou muito. Apesar do cantor Emerson Dias conduzir com vigor e alegria o samba, a Niterói foi murchando, o desfile esfriou, até terminar com a plateia indiferente. E a Sapucaí, mais uma vez, deu seu veredito à aventura dos bambas neófitos: “beleza, mas vamos à próxima”.
E ela foi uma das candidatas ao título, a Imperatriz Leopoldinense, que, no ano das biografias carnavalescas, escolheu Ney Matogrosso como enredo. O povo de Ramos vestiu verde e branco e, liderado pelo intérprete Pitty de Menezes e o mestre de bateria Lolo (os dois excelentes), cantou o samba, que está entre os mais questionados da safra. O carnavalesco Leandro Vieira escolheu abordar exclusivamente a obra artística do cantor. O destaque foi o carro do lobisomem, que encantou o público pela beleza e os movimentos da peça central. A escola disputará vaga no Sábado das Campeãs.
A Portela, terceira a desfilar, também está autorizada ao sonho, mas acumulou obstáculos para materializá-lo. O desfile sobre o Príncipe do Bará começou imponente – apesar da comissão de frente com telão de LED, escolha sempre frustrante na estética da avenida –, em especial pela águia que encenou rasante na pista. O “chão” da azul e branco, dos melhores da festa, cantou alto, regido pelo criativo Zé Paulo Sierra. Mas a escola teve concentração caótica, que refletiu em problemas na última alegoria, onde estava a Velha Guarda. Começou o efeito cascata, com problemas na evolução e no próprio carro. A maior campeã de todas deve passar raiva na apuração das notas.
A quase centenária verde e rosa tem seus próprios problemas. Muito bonita, a Mangueira reverenciou Mestre Sacaca e o estado do Amapá em seu enredo de patrocínio milionário. Teve como mérito principal o amadurecimento artístico do carnavalesco Sidnei França, que criou alegorias e fantasias lindas. O carro abre-alas, em especial, cativou a plateia, com sua estética de brinquedos de madeira.
Mas a escola passou sob olhar complacente do público, que não embarcou no samba conduzido com talento pelo jovem Dowglas Diniz. A Estação Primeira tem boas chances de estar entre as campeãs no próximo sábado, mas ficou devendo uma apresentação arrebatadora, como tantas outras que realizou nos seus quase cem carnavais.
A primeira noite da maratona, assim, terminou no alvorecer da segunda-feira com certo ar de 0 a 0. Sem cataclismas políticos nem desfiles inesquecíveis, mas ratificando o código Sapucaí. Ainda bem.
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