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Dólar e Bolsa hoje (11); acompanhe as cotações – 11/02/2026 – Economia

Dólar e Bolsa hoje (11); acompanhe as cotações - 11/02/2026 - Economia

O dólar abriu em queda nesta quarta-feira (11) em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, com os investidores à espera de participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento em São Paulo.

Às 9h10, a moeda norte-americana caía 0,35%, cotada a R$ 5,1796. Na terça-feira (10), o dólar subiu 0,18%, a R$ 5,196, e a Bolsa caiu 0,16%, a 185.929 pontos.

O foco esteve voltado a dados da inflação no Brasil e a críticas do mercado à situação fiscal brasileira, durante a tarde, em evento do BTG Pactual em São Paulo.

A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 0,33% em janeiro, repetindo a taxa registrada em dezembro, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O novo resultado ficou levemente acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,32%, conforme a agência Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de 0,26% a 0,40%.

Na análise de André Valério, economista sênior do Inter, as últimas leituras do IPCA sugerem uma piora na margem, dentro do que é esperado pela sazonalidade do período analisado pelo IBGE. Ainda assim, o resultado não altera a perspectiva de corte na taxa básica de juros do país, a Selic, no próximo mês, “dada a sinalização do Copom (Comitê de Política Monetária)” na reunião passada.

A dúvida agora é sobre o tamanho do corte: se 0,25 ponto percentual, se 0,5 ponto. Na B3, as opções de Copom precificavam 69% de probabilidade do corte de maior magnitude e 20% de chance do menor. Os 5,25% restantes apostavam em uma baixa de 0,75 ponto.

A Selic terminal, segundo projeções do último Boletim Focus, deve ser de 12,25%.

Na segunda, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a palavra-chave deste momento do ciclo de política monetária é “calibragem”, classificando o termo como “essencial”. Ao mesmo tempo, defendeu que a previsão de corte de juros não representa uma “volta da vitória”.

“Estamos em uma situação diferente do que estávamos naquele momento quando a alta dos juros foi concluída. Mas isso também não é uma volta da vitória, porque ainda temos dados que mostram resiliência econômica, e por isso falamos em ajuste.”

O ministro Fernando Haddad abordou o atual patamar da taxa de juros em evento do BTG Pactual nesta manhã. Segundo ele, não há justificativa para uma Selic em 15% ao ano, um nível que gera um efeito de alta sobre a dívida pública que o governo não consegue contrapor com “nenhum nível de superávit primário”.

Ao mesmo tempo, Haddad ponderou que é muito importante “cuidar” do Banco Central, argumentando que a autarquia pode contribuir muito ou prejudicar muito os governos e o país.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos —cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75%— vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.

Haddad também defendeu uma reformulação estrutural dos gastos sociais do governo federal, incluindo o Bolsa Família, ao afirmar que o país pode estar diante da necessidade de uma “nova arquitetura” para as políticas de assistência e transferência de renda.

Ele traçou um paralelo com o início do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2003, quando programas sociais fragmentados foram unificados no Bolsa Família. Segundo ele, o atual patamar de gastos com Previdência e assistência social exige reflexão semelhante.

“Talvez nós estejamos em uma situação que permita uma arquitetura nova do ponto de vista do dispêndio, sobretudo de natureza social”, afirmou o ministro, ao sugerir que o modelo atual pode ter atingido limites de eficiência e coordenação.

A fala ocorre num momento em que o governo enfrenta dificuldades para cumprir o arcabouço fiscal sem recorrer a elevações de receita, ao mesmo tempo em que tenta preservar programas sociais considerados politicamente sensíveis.

“Todo mundo tem razão quando fala que a dinâmica preocupa, porque tem coisas no Orçamento que ainda estão fora do espírito do arcabouço. Eu até tentei fazer [essa mudança] no final de 2024 com o Congresso, mas é muito difícil você convencer as pessoas a mexer no que é considerado tabu”, disse.

Durante a tarde, os investidores também seguiram atentos à palestra do ex-secretário do Tesouro e atual economista-chefe do BTG, Mansueto Almeida. Ele foi uma das vozes incisivas no evento ao fazer previsões negativas sobre a área fiscal e ao atribuir as melhoras recentes de alguns indicadores do país a fatores internacionais, e não às ações do governo Lula.

No exterior, o foco esteve voltado à divulgação de dados de desemprego dos Estados Unidos na quarta-feira, métrica medida pelo payroll. A expectativa é por pistas sobre os próximos passos do Federal Reserve, que optou por interromper o ciclo de corte de juros em janeiro e manteve a taxa inalterada, a contragosto do presidente Donald Trump.

Quanto menor a taxa norte-americana, melhor para os mercados globais. A manutenção dos juros em patamares elevados atrai recursos para a renda fixa dos EUA, considerada praticamente livre de risco por se tratar da maior economia do planeta. Cortes por lá incentivam a diversificação de carteiras, um movimento já em curso devido à política de Trump.

Caio Rocha

Sou Caio Rocha, redator especializado em Tecnologia da Informação, com formação em Ciência da Computação. Escrevo sobre inovação, segurança digital, software e tendências do setor. Minha missão é traduzir o universo tech em uma linguagem acessível, ajudando pessoas e empresas a entenderem e aproveitarem o poder da tecnologia no dia a dia.

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