Dólar e Bolsa hoje (27); acompanhe as cotações – 27/01/2026 – Economia
O dólar está em forte queda nesta terça-feira (27) e caminha para fechar no menor valor desde 2024 —reflexo de uma confluência de fatores que acirraram o interesse de investidores por ativos brasileiros.
Nesta sessão, dados do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de janeiro abaixo do esperado consolidaram expectativas de corte na taxa Selic a partir de março. A sinalização deve vir no encontro de amanhã do Copom (Comitê de Política Monetária), em data conhecida como “superquarta” pelos mercados por também trazer a decisão de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano).
O dia ainda é favorável ao mercado brasileiro pela continuidade do movimento de rotação para fora das praças norte-americanas, que tem trazido investidores estrangeiros para cá desde a semana passada. A avalanche de recursos internacionais levou a Bolsa a galgar patamares inéditos na história.
A máxima do Ibovespa está sendo renovada neste pregão também: o índice bateu 181 mil, 182 mil e 183 mil pontos pela primeira vez nesta tarde.
Às 15h51, o dólar caía 1,3% e estava cotado a R$ 5,211. Na mínima do dia, foi a R$ 5,207, menor valor desde 29 de maio de 2024. O movimento de desvalorização é global: o índice DXY, que compara a moeda a outras seis divisas fortes, caía 0,86%, a 96,2 pontos.
Enquanto isso, a Bolsa estava em disparada de 1,87%, a 182.066 pontos. Na máxima, chegou a 183.359 pontos.
A começar pelo cenário doméstico, o avanço de 0,2% do IPCA-15 na base mensal veio ligeiramente abaixo das expectativas de 0,22% do mercado, segundo a Bloomberg.
Por outro lado, o índice, considerado uma prévia da inflação oficial do país, acelerou no acumulado de 12 meses. Após marcar 4,41% até dezembro, alcançou 4,5% até janeiro.
É exatamente o teto da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
A divulgação acontece na véspera da primeira decisão de juros do Copom em 2026. A previsão dos agentes é de manutenção dos atuais 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas.
“Para a decisão de amanhã, o resultado de hoje é de pouca relevância”, diz André Valério, economista sênior do Inter. A expectativa é de que o índice motive ajustes no comunicado que sucede a decisão, refletindo “a possibilidade do início do ciclo de cortes na reunião de março”.
A análise se baseia na tendência de desinflação no longo prazo, resultado da valorização do real ante o dólar e da queda recente nos preços de alimentos. A redução dos preços da gasolina pela Petrobras também deverá empurrar o índice para baixo neste primeiro trimestre, afirma Valério.
Segundo o boletim Focus desta semana, especialistas veem um corte de 0,5 ponto percentual em março como o pontapé inicial do ciclo de afrouxamento monetário. A Selic deve encerrar 2026 em 12,25%; o IPCA, em 4%.
“O dado aumentou a confiança de que a política monetária restritiva está produzindo efeitos mais consistentes sobre os preços. Com a inflação mostrando sinais de arrefecimento, cresce a expectativa por um corte de juros mais próximo, ou ao menos por um discurso mais brando por parte do BC”, diz João Abdouni, analista da Levante Inside Corp.
Para a Bolsa, juros mais baixos tendem a ser uma boa notícia: ao tirar um pouco do brio da renda fixa, o corte estimula que investidores procurem retornos mais altos em ativos de risco. Segundo a XP, os últimos oito ciclos recentes de afrouxamento monetário levaram o Ibovespa a subir 39,2%.
O mercado ainda vê espaço para a Bolsa continuar subindo ao longo do ano, mesmo com previsão de volatilidade por causa das eleições presidenciais de outubro.
A “superquarta”, além disso, guarda a decisão de juros do Fed. Por lá, o consenso de mercado também aponta para uma manutenção da taxa na banda de 3,5% e 3,75%. Preocupa, no entanto, o ambiente institucional do Fed em meio aos ataques do governo Donald Trump.
A provável manutenção dos juros vai na contramão do que o republicano tem pregado desde que assumiu o cargo: a redução brusca da taxa para 1,5%.
O contexto, segundo analistas, é crítico. Jerome Powell, presidente do Fed, se tornou alvo no início do mês de uma investigação federal relacionada a uma reforma da sede da instituição, orçada em US$ 2,5 bilhões. Ele reagiu publicamente antes mesmo do anúncio formal do inquérito, classificando-o como um pretexto para pressioná-lo a reduzir drasticamente os juros.
“Embora haja pouca dúvida sobre o resultado da reunião, as expectativas têm aumentado de que a retórica será agressiva devido a fortes dados econômicos e em resposta aos ataques de Trump à autonomia do Fed”, diz Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury.
Conforme a escolha pelo novo presidente do Fed se avizinha —o mandato de Powell termina em maio—, o mercado teme que Trump opte por um chairman que responderá às suas demandas, e não aos dados econômicos.
A incerteza se soma a um contexto já tensionado. “O mercado aguarda um pronunciamento de Donald Trump sobre a economia nesta tarde, e ainda há uma nova possibilidade de ‘shutdown’ do governo norte-americano rondando as operações”, diz Higor Rabelo, especialista da Valor Investimentos.
Trump ainda afirmou que vai elevar de 15% para 25% as tarifas sobre determinadas importações da Coreia do Sul, em resposta ao que chamou de lentidão do país asiático para cumprir o acordo comercial firmado no ano passado.
O ambiente estimula a tendência de diversificação de carteiras, com investidores reduzindo a exposição aos mercados norte-americanos.



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