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‘Não é não’; mulheres terão apoio psicológico e equipes especializadas durante o carnaval de rua 2026 no Rio

'Não é não'; mulheres terão apoio psicológico e equipes especializadas durante o carnaval de rua 2026 no Rio

Em meio a multidão de 6 milhões de foliões previstos pela RioTur para o carnaval de rua no Rio 2026, a cidade já se preocupa com um cenário persistente de violência contra mulheres, com uma operação específica de atenção, acolhimento e apoio psicológico durante a folia. O cuidado ocorre em um contexto em que, segundo dados do Dossiê Mulher 2025, do Instituto de Segurança Pública (ISP), com ano-base 2024, 421 meninas ou mulheres são agredidas por dia no estado do Rio, o equivalente a 18 casos por hora. A Região Metropolitana concentra 71,1% das ocorrências. Durante o carnaval 2025, segundo a secretária municipal de Políticas para a Mulheres, Joyce Trindade, houve aumento de 275% de casos de assédio e de atendimento direto para as mulheres vítimas.

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Durante o período carnavalesco, a secretaria contará com equipes de apoio especializadas, formadas por profissionais identificadas e preparadas para oferecer atendimento imediato em casos de assédio ou violência contra a mulher. Psicólogas, advogadas e assistentes sociais estarão disponíveis para acolher as vítimas e realizar os encaminhamentos necessários, como delegacias, juizados ou outros serviços da rede de proteção.

As ações acontecem nos blocos de rua e no carnaval dos parques, entre os dias 12 e 22 de fevereiro, com atenção especial aos territórios de maior concentração de público, como o Centro e parte da Zona Sul, sem deixar de fora a Zona Norte e a Zona Oeste.Segundo a secretária municipal de Políticas para Mulheres, Joyce Trindade, o carnaval é um momento estratégico para ampliar o alcance das políticas públicas.

— A gente entende que o carnaval é um momento fundamental para disseminar mensagens como ‘não é não’, ‘meu corpo, minhas regras’. Apesar de muitas acharem que são apenas frases de impacto, a gente já observa uma mudança cultural, inclusive na redução de situações de assédio durante grandes eventos — afirmou a secretaria na manhã desta quinta-feira, durante uma coletiva sobre a operação do carnaval de rua.

Além do atendimento direto, a operação inclui uma campanha de conscientização, com a distribuição de materiais gráficos informativos, como adesivos de peito com a mensagem ‘Não é Não’, ventarolas (leques) e outros itens. As mobilizadoras também orientam as mulheres sobre como pedir ajuda e divulgam os canais oficiais de atendimento.

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— Nos parques, como o Parque Oeste, o Parque de Realengo e outros, observamos atendimentos diretos a mulheres, mães e chefes de família que, muitas vezes, não sabiam que podiam pedir ajuda. Nem sempre a violência acontece no Carnaval, mas esse é um período de conscientização e mobilização coletiva — explicou Joyce.

Outro pilar da operação é a plataforma Mulher.Rio, que será amplamente divulgada durante o Carnaval de Rua. A ferramenta não exige download, o que facilita o acesso em situações de emergência.

— Na plataforma, a mulher encontra a equipe mais próxima para pedir ajuda em casos de assédio ou qualquer tipo de violência. Ela também reúne informações sobre o que é considerado violência contra a mulher no Brasil, algo que muitas estrangeiras não conhecem —afirmou a secretária.

Como novidade em 2026, a plataforma será traduzida para inglês, espanhol e francês, diante do aumento do número de turistas estrangeiras na cidade durante o Carnaval.

A decisão de ampliar as equipes em 2026 veio após o crescimento do número de mulheres atendidas em grandes eventos no último ano. A secretária ainda alertou que grandes eventos costumam intensificar os casos de violência grave.

— Em qualquer grande evento, a gente observa um aumento direto do feminicídio e das violências físicas mais agravadas, muito associado ao uso abusivo de álcool e drogas. Isso impacta diretamente nossa rede de acolhimento, inclusive o abrigamento sigiloso para mulheres que sofreram tentativa de feminicídio — afirmou.

Em 2024, o estado registrou 107 vítimas de feminicídio, um aumento de 8,1% em relação a 2023, o segundo maior número em 11 anos. Antes de serem mortas, 56,1% das vítimas já haviam sofrido outras violências e não denunciaram.

Entre as 154.193 mulheres que denunciaram violência no ano passado, 36,5% sofreram violência psicológica, 28,4% violência física, 24,6% violência moral, 5,4% violência patrimonial e 5,4% violência sexual. Em quase metade dos casos (45,3%), o agressor era companheiro ou ex-companheiro da vítima.

Caio Rocha

Sou Caio Rocha, redator especializado em Tecnologia da Informação, com formação em Ciência da Computação. Escrevo sobre inovação, segurança digital, software e tendências do setor. Minha missão é traduzir o universo tech em uma linguagem acessível, ajudando pessoas e empresas a entenderem e aproveitarem o poder da tecnologia no dia a dia.

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