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O que Luis Enrique e outros técnicos europeus disseram sobre a acusação de racismo de Vini Jr.

O que Luis Enrique e outros técnicos europeus disseram sobre a acusação de racismo de Vini Jr.

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Nesta sexta, 20, o atual técnico campeão da Champions League, Luis Enrique do PSG deu sua opinião sobre a acusação de racismo feita por Vinícius Jr. do Real Madrid em jogo contra o Benfica. Sem dar relevância ao assunto, o treinador espanhol respondeu com aparente desdém e sem se delongar acerca do caso. Na última terça, 17, o atacante brasileiro acusou o adversário Prestianni do Benfica de proferir ofensas racistas, enquanto cobria a boca com a camisa.

Na entrevista coletiva pré-jogo do PSG contra o líder do campeonato francês, Lens, a jornalista brasileira Clara Albuquerque da TNT Sports questionou ao espanhol: “Se você me permite uma pergunta fora do tema da partida de amanhã, a semana foi marcada pelo que aconteceu no jogo entre Benfica e Real Madrid com Vinícius Jr.. Você viu o que aconteceu? Isso foi algum tema em algum grupo com o qual você trabalhou? E qual o seu olhar sobre isso?”

Luis Enrique foi curto e direto sobre o tema: “O que eu posso dizer sobre esse assunto…não é nada importante.”

 

Posição diferente dos adversários

Outros técnicos no futebol europeu partiram em sentido contrário de Luis Enrique ao abordarem o assunto. Em coletiva nesta quinta, 19, Liam Rosenior, do Chelsea, prestou apoio a Vini Jr.: “Qualquer forma de racismo na sociedade é inaceitável. Eu não posso falar sobre um caso que ainda está sendo investigado. Mas o que posso dizer é que quando você vê um jogador chateado como Vinicius Junior ficou, normalmente ele tem um motivo.”

O inglês à frente dos Blues compartilhou que também já foi vítima de ofensas do tipo, e compartilhou sua experiência e sua visão sobre o tema: “Eu mesmo já fui alvo de abuso racial. O que as pessoas precisam entender é que ser julgado por algo de que você deveria se orgulhar é a pior sensação que se pode imaginar. O racismo tem raízes históricas. Como treinador deste clube, preciso me posicionar sobre o assunto. Se algum técnico, jogador ou dirigente for considerado culpado de racismo, não deveria estar no futebol.”

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Seu adversário da Premier League, Arne Slot, do Liverpool, cobrou ações mais rigorosas dentro do esporte: “No geral, nunca podemos fazer o suficiente. Sempre podemos fazer mais, temos que tentar para que isso nunca ocorra novamente. Acredito que nós, como comunidade do futebol, precisamos fazer mais do que a sociedade faz. Sei que o protocolo está acontecendo durante os jogos, esse é o primeiro passo.”

“Acho que o mundo do futebol reagiu como era esperado, e eu estou tentando fazer o mesmo agora. Espero que meus jogadores ajam da mesma maneira, que confrontem na hora, assim como o árbitro também. O protocolo precisa ser seguido”, concluiu o holandês.

Nesta sexta, foi a vez de Kompany, do Bayern de Munique, se posicionar. Em apoio a Vini Jr., ele destacou a reação imediata do brasileiro na situação: “Quando você analisa a jogada e como o Vini reagiu, essa reação não pode ser fingida”, disse ele em coletiva de imprensa. “Dá para ver que foi uma reação emocional. Não vejo nenhum benefício para ele em ir até o árbitro e assumir toda a culpa. Naquele momento, ele achou que era a coisa certa a fazer.”

Em seguida, o belga criticou o companheiro de profissão José Mourinho, treinador do Benfica, por sua postura ao abordar o assunto depois da partida: “Para mim, o que aconteceu depois é ainda pior. José Mourinho basicamente atacou o caráter de Vini ao mencionar o tipo de comemoração dele para desmerecer o que ele estava fazendo naquele momento. Foi um erro enorme em termos de liderança.”

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“Ele disse que o Benfica não pode ser racista porque o seu maior jogador de todos os tempos foi Eusébio. Ele sabe o que os jogadores negros tiveram que passar na década de 1960? Ele estava lá viajando com Eusébio para todos os jogos fora de casa para ver o que ele sofreu? Usar o nome dele hoje para discutir com o Vini…” questionou Kompany.

Relembre o caso

Em partida válida pela rodada dos playoffs da Champions League, o Real Madrid visitou o Benfica no Estádio da Luz, na capital portuguesa. Aos 5 minutos do segundo tempo, Vini Jr. marcou o único gol do jogo, que garantiu a vitória dos blancos e comemorou dançando em frente à bandeira de escanteio dos donos da casa. Ele foi advertido com um cartão amarelo, bastante questionado pelo jogador e seus companheiros. 

No reinício da disputa, o camisa 7 conversa com o oponente Prestianni, que tampa a boca com a camisa para dizer algo. Logo em seguida, Vini corre em direção ao árbitro, e o protocolo antirracismo é acionado. Em outros ângulos do momento, o brasileiro aparece dizendo “mono” (macaco em espanhol) ao juiz, apontando ao oponente argentino. O jogo ficou paralisado por cerca de dez minutos, mas reiniciou normalmente com todos os jogadores em campo.

Em entrevistas pós-jogo, Kyllian Mbappé confirmou a versão do companheiro de Real Madrid e se recusou a citar o nome de Prestianni. “Depois, o número 25 do Benfica, não quero dizer seu nome, não merece, começou a falar mal. Não é aceitável, mas aconteceu e vai acontecer. Mas depois ele levantou sua camisa para dizer que Vini é um macaco cinco vezes, eu ouvi isso”, afirmou o francês. 

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Em seu perfil na rede social X, o Benfica postou um vídeo do momento com a legenda: “Como demonstram as imagens, dada a distância, os jogadores do Real Madrid não podem ter ouvido o que andam a dizer que ouviram.”

O clube português também demonstrou apoio ao seu jogador: “Juntos, ao teu lado”, em post com a resposta de Prestianni às acusações: “Quero declarar que em nenhum momento dirigi insultos racistas ao jogador Vinícius Júnior, que lamentavelmente mal interpretou o que crê ter escutado. Jamais fui racista e lamento as ameaças que recebi dos jogadores do Real Madrid.”

Nesta quarta, 18, a UEFA abriu investigação para apurar o caso de potencial violação do seu Código de Disciplina para investigar as alegações de comportamento discriminatório no jogo. Um inspetor foi apontado para o caso e mais informações serão disponibilizadas ao longo da investigação, segundo comunicado. O Real Madrid também informou em comunicado oficial que forneceu todas as provas disponíveis para a entidade e colabora com a investigação.

Caio Rocha

Sou Caio Rocha, redator especializado em Tecnologia da Informação, com formação em Ciência da Computação. Escrevo sobre inovação, segurança digital, software e tendências do setor. Minha missão é traduzir o universo tech em uma linguagem acessível, ajudando pessoas e empresas a entenderem e aproveitarem o poder da tecnologia no dia a dia.

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