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Vale (VALE3): prejuízo bilionário não assusta mercado, mas ações caem: o que explica?

Vale (VALE3): prejuízo bilionário não assusta mercado, mas ações caem: o que explica?



Em um primeiro momento, pode-se pensar que a Vale (VALE3) registrou um resultado negativo, uma vez que a mineradora reportou um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre, mais de 5 vezes o prejuízo de US$ 694 milhões do mesmo período do ano anterior.

Contudo, a visão é de que a mineradora registrou um resultado bastante positivo, principalmente por conta dos dados de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) acima do esperado e um sólido desempenho nas vendas de minério de ferro e cobre.

As ações da Vale, porém, abriram em baixa nesta sexta-feira (13), com investidores embolsando lucros e também com a queda do minério. A commodity registra perdas com queda nas vendas de automóveis e dados decepcionantes sobre consumo na China reforçando os sinais de fraqueza na demanda interna do maior consumidor mundial de aço.

Oportunidade com segurança!

O contrato de minério de ferro mais negociado para maio na Bolsa de Commodities de Dalian (DCE) caiu 0,2%, a 762 iuanes (US$110,40) por tonelada. O contrato de referência de minério de ferro para março na Bolsa de Cingapura recuava 0,35%, a US$99,6 por tonelada.

Voltando ao balanço, cabe destacar que a última linha do balanço foi impactada por baixas contábeis, com “impairments” de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá, diante de uma revisão das premissas de preço de longo prazo para o níquel, além de uma baixa de US$ 2,8 bilhões em imposto diferido de subsidiárias. Ao excluir os itens não recorrentes, como as baixas contábeis, o lucro líquido proforma somou US$ 1,5 bilhão no quarto trimestre, alta de 68% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com impulso do aumento do Ebitda proforma e de impacto positivo da avaliação a mercado dos swaps cambiais.

Os fatores positivos foram, entretanto, parcialmente compensados por provisões adicionais relacionadas à Samarco, além da ausência de ganhos extraordinários registrados no quarto trimestre de 2024.

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Apesar do prejuízo líquido, o Ebitda ajustado foi beneficiado por maiores volumes de vendas e preços de cobre e minério de ferro, além de receitas de subprodutos e melhorias operacionais, segundo o relatório da companhia. O Ebitda somou US$ 4,6 bilhões entre outubro e dezembro, contra US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2024.

O Ebitda proforma ajustado de US$ 4,8 bilhões, 1% acima do esperado pela XP e 5% além do consenso.

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Com os números operacionais já divulgados, a XP destacou mais um trimestre de desempenho sólido de custos da Vale, incluindo: (i) ganhos contínuos de eficiência na Iron Ore Solutions, com o custo C1 (produção cobrindo as despesas da mina, ferrovia e porto, mas excluindo compras de terceiros) em US$ 21,3/tonelada (t), em linha com o guidance da empresa para 2025 e marcando o segundo ano consecutivo de redução de custos, e (ii) redução nos custos em Metais Básicos, embora parcialmente explicado por receitas mais fortes de subprodutos na divisão de Cobre (parte dela com efeitos não caixa); enquanto os custos do níquel como um todo diminuíram 35% ano a ano para US$ 9.001/t, também mostrando redução.

Já a dívida líquida expandida caiu para US$ 15,6 bilhões (queda de US$ 1,0 bilhão semestre a semestre), impulsionada por fortes ajustes na geração de caixa e nas provisões de caixa, com o FCF (fluxo de caixa livre) em US$1,7 bilhão (em linha geral com a projeção da XP).

O Ebitda superou as projeções do JPMorgan em 4,5%. “O principal resultado positivo veio dos metais básicos, devido aos créditos excepcionalmente altos de subprodutos para os negócios de cobre e níquel. O minério de ferro superou ligeiramente as expectativas do JPMorgan e o consenso (2,2% e 1,0%, respectivamente), principalmente porque os custos de frete mais do que compensaram o aumento dos custos C1 impulsionado pela variação cambial”, apontou o JPMorgan, que projetava uma reação positiva para o mercado.

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O Ebitda da Vale ficou 6% acima das projeções do Itaú BBA, com todo o resultado positivo atribuído à divisão de metais básicos, devido ao impacto positivo dos preços provisórios e ao desempenho de custos melhor do que o esperado. “O trimestre foi marcado por uma produção sólida tanto na divisão de metais ferrosos quanto na de metais básicos. Em relação aos custos, o trimestre foi impactado pela desvalorização do real, resultando em custos C1 mais altos (embora esperados). A geração de fluxo de caixa livre foi forte, atingindo US$ 1,7 bilhão, e a dívida líquida expandida diminuiu para US$ 15,6 bilhões”, destaca o banco.

O Goldman Sachs apontou que, após um trimestre relativamente fraco para metais básicos no 3º trimestre (paralisação da produção de níquel), a Vale apresentou números de custos robustos para metais básicos, impulsionados por melhorias operacionais
e pelo desempenho de subprodutos (principalmente ouro, em sua maioria transportado por streaming). No lado do minério de ferro, o desempenho de custos foi bom, mas em linha com as expectativas.

Visão positiva permanece

Após o balanço, os analistas seguem otimistas em sua maioria com a Vale. A XP, embora reitere recomendação neutra com base no valuation, reconhece um momentum positivo para as ações. A Genial também recomenda manutenção, com preço-alvo de R$ 90. A casa avalia que parte do bom resultado já estava precificado pelo mercado.

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O Goldman Sachs reiterou recomendação de compra para os ADRs (recibo de ações negociado nos EUA), com preço-alvo de US$ 18. O banco americano vê ainda um espaço para uma nova reavaliação.

“Após conversas com investidores globais, nossa percepção é de que a tese da Vale ainda é geralmente vista como construtiva, sustentada por 1) uma visão menos pessimista para o minério de ferro (semelhante ao achatamento da curva a termo do minério de ferro); 2) a visão de que a Vale representa uma alternativa atraente às grandes empresas de cobre, que são mais caras; e 3) o bom momento operacional da empresa”, aponta.

O banco ainda aponta que a história de crescimento do cobre da Vale (com o objetivo de dobrar a produção até 2035) tem atraído atenção e, embora os investidores pareçam não estar prontos para precificar totalmente essa expansão, observamos que ela coloca a tese de investimento da empresa no segmento temático de metais industriais.

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No lado do minério de ferro, embora os investidores acreditem que os preços estejam no pico ou próximos a ele para este ciclo, a visão tem sido menos negativa na margem e as expectativas são de resiliência em torno dos níveis atuais (semelhante à curva futura que se achatou nos últimos 6 meses).

O Bradesco BBI também reforçou recomendação de compra para VALE3, que está sendo negociada com um atraente rendimento ao FCF de 8% estimado para 2026 (preço médio de minério em US$ 100/t). “Após esse forte conjunto de resultados, vemos espaço para revisões positivas em nossas estimativas de 2026”, apontou.

Caio Rocha

Sou Caio Rocha, redator especializado em Tecnologia da Informação, com formação em Ciência da Computação. Escrevo sobre inovação, segurança digital, software e tendências do setor. Minha missão é traduzir o universo tech em uma linguagem acessível, ajudando pessoas e empresas a entenderem e aproveitarem o poder da tecnologia no dia a dia.

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