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Veiga mostrou vontade de ser o fantasma no treino invisível – Observador

Veiga mostrou vontade de ser o fantasma no treino invisível – Observador

Regressar às vitórias para dar mais um passo rumo à fase a eliminar. A missão do FC Porto para esta quinta-feira era inequívoca. Depois do empate, um tanto ou quanto surpreendente, alcançado numa visita a Utrecht que se tornou difícil (1-1), os dragões queriam voltar a vencer no regresso da Liga Europa ao Estádio do Dragão, apesar de a hora (17h45) ser pouco convidativa a mais uma presença massiva da nação portista. Pela frente, a equipa de Francesco Farioli tinha um histórico encontro frente aos franceses do Nice, equipa que os azuis e brancos nunca tinham enfrentado ao longo dos seus 132 anos de história. Por outro lado, os aiglons (águias, em português) já conheciam bem o território português, depois de terem defrontado o Benfica na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, em agosto (perderam 2-0 nas duas mãos).

Farioli recebeu um livro de presente, mas o loop do dia trouxe um dragão incapaz de virar a página (a crónica do Utrecht-FC Porto)

Este jogo teve ainda a particularidade de marcar o reencontro entre Farioli e o Nice, equipa que o treinador italiano comandou na temporada 2023/24 e levou ao quinto lugar da Ligue 1, conseguindo colocar o conjunto da Costa Azul na Liga Europa. Ao cabo de quatro jornadas na fase de liga da segunda prova do continente europeu, o FC Porto somava duas vitórias, um empate e uma derrota, sendo que, depois do bom início, com triunfos ante RB Salzburgo (fora, 1-0) e Estrela Vermelha (casa, 2-1), perdeu gás diante de Nottingham Forest (fora, 0-2) e Utrecht, chegando a este jogo sem conseguir vencer há duas jornadas. Ainda assim, o apuramento — inclusivamente para os oitavos de final — continuava plenamente no horizonte portista, que, em toda a temporada, levava 14 vitórias em 17 jogos, mantendo-se “vivo” em todas as competições. Jan Bednarek e Victor Froholdt voltaram a ser opção, deixando Nehuen Pérez sozinho no boletim clínico.

“É uma equipa muito boa, orientada por um dos melhores treinadores franceses da última década, que teve um fantástico período no Lens, com a promoção, e quase conquistou o título contra o PSG. Esta temporada vemos um momento de dificuldades, mas é apenas um momento. Vai ser um jogo muito físico, contra uma equipa que defende homem a homem, pelo que vão haver vários duelos, com possibilidades de transição. Será um jogo aberto entre duas equipas que querem vencer. O Nice vai jogar da mesma maneira, é o estilo de jogo que tem. Tanto o clube como o treinador têm essa cultura. É uma equipa agressiva, por isso espero um jogo forte, com pressão alta de lado a lado. Calendário? É um desafio para todos. Temos de jogar a cada três dias e treinar, recuperar e procurar estar sempre bem. É nestes momentos que o treino invisível é super importante”, antecipou Farioli.

Ficha de jogo


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FC Porto-Nice, 3-0

5.ª jornada da fase de liga da Liga Europa 2025/26

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Matej Jug (Eslovénia)

FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa, Pablo Rosario, Jakub Kiwior, Francisco Moura; Alan Varela (Jan Bednarek, 46’), Victor Froholdt (Rodrigo Mora, 73’), Gabri Veiga (Stephen Eustáquio, 80’); Pepê, Deniz Gül (Borja Sainz, 67’) e Samu Aghehowa (Luuk de Jong, 73’)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, João Costa; William Gomes, Zaidu Sanusi, Dominik Prpic, Tomás Pérez e Martim Fernandes

Treinador: Francesco Farioli

Nice: Yehvann Diouf; Antoine Mendy, Dante (Kojo Peprah Oppong, 79’), Melvin Bard; Jonathan Clauss (Tiago Gouveia, 79’), Morgan Sanson, Charles Vanhoutte, Sofiane Diop (Hichem Boudaoui, 68’), Ali Abdi; Mohamed-Ali Cho (Isak Jansson, 68’) e Terem Moffi (Kevin Carlos, 68’)

Suplentes não utilizados: Bartosz Zelazowski, Maxime Dupé; Jérémie Boga, Tom Louchet, Tanguy Ndombélé, Juma Bah e Salis Samed

Treinador: Franck Haise

Golos: Veiga (1’ e 33’) e Samu (g.p., 61’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Vanhoutte (52’), Bednarek (77’), Mendy (78’) e Sainz (90+3’)

A viver um período conturbado, as águias francesas chegaram à cidade Invicta com quatro derrotas na fase de liga da Liga Europa, chegando às 14 partidas sem vencer na fase principal das competições europeias (o pior registo de sempre de uma equipa da Ligue 1), e com quatro derrotas consecutivas em todas as competições. Fora de casa, a equipa de Franck Haise levava sete desaires em nove partidas, pelo que o cenário negativo continuava no horizonte. “No jogo contra o Marselha [casa, 1-5] nunca fomos eficazes em certos pontos, como na recuperação de bola no ataque. Desde então, tenho visto uma reação após aquela partida, e isso já é positivo.  É difícil para muitos no clube, mas vamos superar isto juntos. Sim, estamos numa crise de resultados, estamos numa sequência de quatro derrotas na Liga Europa, mas estamos a meio da tabela da Ligue 1. Temos que ser honestos uns com os outros. Essa é a única maneira com que vejo as coisas e como trabalho com os jogadores. Às vezes, isso pode causar tensão, seja entre os jogadores ou na direção do clube, mas isso não me incomoda muito porque é para o bem do clube”, explicou o treinador francês.

Apesar de Jan Bednarek ter recuperado, Francesco Farioli optou por deixar o central polaco no banco de suplentes, mantendo Pablo Rosario como central, ao lado de Jakub Kiwior. Por outro lado, Gabri Veiga foi o escolhido para jogar junto de Victor Froholdt e Alan Varela no meio-campo, com Rodrigo Mora a sentar-se no banco. No ataque, a grande novidade passou pela inclusão de Deniz Gül junto a Samu Aghehowa, com o internacional turco a partir do lado esquerdo, mas a ocupar espaços interiores, deixando a ala para Francisco Moura. No Nice, o português Tiago Gouveia, que se encontra emprestado, com opção de compra, pelo Benfica, começou o jogo no banco. A principal novidade foi o regresso de Dante após lesão, sendo que o central brasileiro não jogava há mês e meio.

O FC Porto entrou com tudo na partida e, na bola de saída e sem o Nice tocar na bola, inaugurou o marcador com apenas… 18 segundos jogados. Alberto Costa e Pepê combinaram na direita, o brasileiro ganhou uma série de ressaltos e rompeu, cruzando atrasado junto à linha de fundo para o remate de primeira de Gabri para o fundo da baliza (1′). A partir daí, os franceses tiveram várias incursões às imediações da baliza portista, mas não criaram perigo e os dragões assumiram o controlo das operações, baixando o ritmo. Ainda assim, já depois de o Dragão ter aplaudido os novos campeões do mundo de sub-17, uma desatenção defensiva quase originou o empate, com Terem Moffi a receber a meio-campo e a furar a defesa portista, atirando, depois, de fora da área, pouco por cima (19′).

Pouco depois, numa jogada construída a meio-campo, Rosario encontrou Froholdt a romper pela meia-direita, o dinamarquês recebeu, fugiu aos adversários e deixou para a entrada de Veiga que, depois de receber orientado, desferiu um remate forte, de baixo para cima, ao poste mais distante (33′). Na resposta, o Nice voltou a desequilibrar numa transição rápida, que terminou com Sofiane Diop a aparecer completamente sozinho dentro da área, mas o seu remate de primeira saiu muito por cima (37′). Até ao intervalo, Samu quase fez o terceiro golo num canto, mas o seu remate foi cortado por um defesa francês (42′).

Ao intervalo, Farioli decidiu poupar Alan Varela e conceder minutos ao recuperado Jan Bednarek, que se juntou a Kiwior e levou Pablo Rosario a subir para o meio-campo. No primeiro lance de perigo, Yehvann Diouf parecia ter o lance completamente controlado, mas a oposição de Samu Aghehowa quase levou o guarda-redes a perder a bola, conseguindo emendar para canta em última instância (53′). Pouco depois, o avançado espanhol acabou desarmado dentro da área por Dante, que o rasteiro. Chamado a ver o lance, o árbitro assinalou a grande penalidade, que Samu viria a converter, enganando Diouf (61′). Depois do terceiro golo, Borja Sainz voltou ao seu lugar, ao passo que Kevin Carlos, Isak Jansson e Hichem Boudaoui saíram do banco da equipa francesa, que teve duas ocasiões para marcar, mas Carlos (70′) e Jonathan Clauss (71′) não conseguiram faturar.

Para a fase final do jogo, Francesco Farioli voltou a dar minutos a Luuk de Jong e a Rodrigo Mora, lançando, mais tarde, Stephen Eustáquio, com Tiago Gouveia e Kojo Peprah Oppong também a entrarem em campo. Mora ainda tentou um golo ao seu estilo, com um remate em arco ao ângulo superior mais distante, mas a bola saiu ao lado (87′). Essa acabou por ser a última oportunidade de um jogo que aproximou o FC Porto da próxima fase da Liga Europa (3-0).



Caio Rocha

Sou Caio Rocha, redator especializado em Tecnologia da Informação, com formação em Ciência da Computação. Escrevo sobre inovação, segurança digital, software e tendências do setor. Minha missão é traduzir o universo tech em uma linguagem acessível, ajudando pessoas e empresas a entenderem e aproveitarem o poder da tecnologia no dia a dia.

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