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Viradouro conquista o Estandarte de Ouro de melhor escola do carnaval 2026

Viradouro conquista o Estandarte de Ouro de melhor escola do carnaval 2026

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Para o júri, ficou a clareza de que a escola soube explorar com maestria o carisma dessa figura, tanto como representante do sambista tradicional quanto pela sua presença marcante. A escola venceu também como melhor Enredo. Ciça abriu e fechou o desfile. Após se apresentar na comissão de frente, foi de moto encontrar os ritmistas da Viradouro, posicionados no final.

Junto com a bateria, o mestre subiu em um carro alegórico, acompanhado pela atriz Juliana Paes — que voltou ao posto de rainha após um hiato de 17 anos. De lá, Ciça regeu a escola de cima.

— Foi uma experiência única. A escola quando se propôs a ter como enredo o Ciça, não é só falar dele, mas de todo o sambista que constrói o carnaval. E o público recebeu e abraçou essa história. São momentos que vão sendo guardados na memória, acho que para todo o sambista. Vimos que mesmo quem não torce pela escola, passou a torcer naquele momento. É uma energia singular — conta Alex Fab, diretor da Viradouro.

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A Vermelho e Branco de Niterói também conquistou o prêmio de melhor Comissão de Frente. Coreógrafos da apresentação, batizada de “Eu vi… A Vida Pulsar Como Fosse Canção”, Priscilla Mota e Rodrigo Negri levaram para a Avenida uma abertura que traduziu a emoção da vida de Moacyr Silva Pinto.

— A gente passou a temporada ao lado do Ciça, desde abril. Ele entrou na nossa sala e falou: “O apito do mestre ecoou”. Essa frase tinha que estar no samba. A gente olhou um para o outro e pensou: realmente é um instrumento do mestre, é a comunicação com a escola, indica o início e o fim do desfile, que chama a bateria e pulsa o coração da escola. Se o mestre diz que o apito vai ecoar, quem somos nós para dizer que não? Elaboramos apito gigante, encantado, girando, trazendo esse instrumento de forma poética e representando a vontade do Ciça — destaca Priscilla.

O mestre de bateria não esconde a emoção de ter recebido tamanha homenagem e de ter participado de toda a festa, desde a concepção de ideias até os testes para estar em mais de um momento no desfile e de, enfim, cruzar a Avenida de um jeito totalmente diferente do habitual.

— Foi uma surpresa. Eu sou um enredo vivo, e isso é uma honra para mim. Ser um mestre de bateria do maior carnaval do mundo, é muita emoção — destaca Ciça. — É um momento de muito orgulho, de emoção, de satisfação, é um momento único. E acho que o Estandarte vem para comprovar isso.

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Aclamado pelo público durante o desfile, Mestre Ciça deixou o último carro alegórico da Viradouro visivelmente emocionado, na madrugada desta terça-feira. Homenageado no enredo da escola, o sambista foi cercado por componentes e torcedores, que celebraram sua trajetória.

— Para a comissão de frente fui convidado, e a escola me animou a participar. Foi muito ensaio, muita dedicação, muito empenho, e foi espetacular. Depois voltei para a concentração no início do desfile e foi um sucesso. A bateria desfilou em cima do carro, e deu tudo certo. — afirma Ciça. O mestre de bateria foi escolhido como Personalidade do Ano pelos jurados deste ano.

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Julinho levou o prêmio de Mestre-sala, a segunda vitória consecutiva e a sexta de sua carreira. A conquista foi dedicada ao irmão, Edson Ney, que morreu no início do mês.

— Fiquei muito feliz e muito emocionado. O sentimento é uma dívida de gratidão com meu irmão, que faleceu há duas semanas. Tinha prometido que esse carnaval seria em memória dele e de tudo que ele representa para mim. Tudo que passamos faz parte do propósito de Deus, só vamos entender depois — diz.

Edson Ney faleceu no último dia 1º por complicações decorrentes de uma pneumonia associada ao diabetes. Julinho soube da notícia minutos antes de pisar na Sapucaí durante o ensaio técnico da Viradouro. Mesmo assim, não deixou de desfilar pela escola. Além do irmão, Julinho também dedicou o prêmio à sua parceira de quase 20 anos, Rute, e ao mestre de bateria Ciça, enredo da Viradouro.

Neste ano, os 14 jurados do Estandarte de Ouro apontaram uma finalista por dia do Grupo Especial. As escolhidas de domingo (Imperatriz), segunda (Viradouro) e terça-feira (Vila Isabel) foram anunciadas ao fim de cada noite de desfile.

Igor Sorriso, do Salgueiro, conquistou a categoria Puxador. Com mais de 20 anos de Avenida, o intérprete, que vinha se dedicando à Mocidade Alegre de São Paulo desde 2019, retornou ao carnaval carioca em 2024 e desfila pelo Salgueiro desde então. Esse é seu segundo Estandarte de Ouro. Em 2011, na São Clemente, ele venceu na categoria Revelação.

— Saber que fui agraciado com o Estandarte de Ouro, o “Oscar do sambista”, é uma satisfação imensa. Trabalhei muito junto com minha equipe, com minha direção musical do Alemão, com todo meu carro de som, meus cantores, meus músicos. Então esse prêmio não é meu sozinho, é de todos nós, da comunidade do Salgueiro. É um prêmio individual, mas que se ganha em conjunto, com muitas pessoas ao redor ajudando a desempenhar nosso trabalho — diz o puxador.

A Unidos da Tijuca foi a vencedora na categoria Bateria. Já a Paraíso do Tuiuti foi a escolhida como tendo a melhor Ala das Baianas.

A porta-bandeira Cintya Santos, da Mangueira, conquistou a categoria neste ano. Com o apelido de Furacão, ela leva seu segundo Estandarte; o primeiro foi em 2023, em sua estreia na Verde e Rosa. A emoção foi grande em saber sobre o novo prêmio, e ainda no começo da manhã a notícia já havia sido compartilhada no grupo da família.

— O desfile é sempre diferente. A entrega é maior do que o ano anterior. É uma emoção diferente. E estar na Estação Primeira de Mangueira é diferente, é a melhor escola do planeta, e sempre tem que ser a maior porta-bandeira. É uma honra imensa. A dona Maria Augusta Rodrigues (carnavalesca que morreu em julho do ano passado) gostava tanto do meu trabalho, eu passava e a via. E quando ganhei o primeiro Estandarte, tive a honra de abraçá-la pelo nosso carnaval. Seu Haroldo Costa (pesquisador, ator e comentarista de carnaval que morreu em dezembro do ano passado), tive a honra de conhecer e abraçar. Eles nos ensinaram muito e, hoje, damos continuidade a esse legado — homenageia Cintya Santos, segurando as lágrimas.

A preparação para o desfile desse ano foi intensa, com início em junho do ano passado. Uma das preocupações foi melhorar a saúde.

— Tinha em mente que estar bem é deixar meus filhos bem. Tive que emagrecer, perdi 14 kg, e me dediquei mais à dança para encantar. Esse ano, a Ana Paula Lessa veio para agregar — conta Cintya, que é mãe de duas meninas e de um menino.

Já a Mocidade, ficou com a Ala das Passistas. O júri do Estandarte de Ouro avaliou que essa ala está muito coreografada nas escolas. A Mocidade foi a que trouxe mais os fundamentos elencados pela premiação. O presidente do júri da premiação, Marcelo de Melo, destacou: “passista é solista”.

George Louzada, coreógrafo da ala, que também venceu a premiação em 2024, conta que observou mesmo uma “militarização” do segmento. Ele destaca que foram cerca de 120 passistas desfilando neste ano, 20 a mais que em 2025, e que, do primeiro para o segundo ensaio técnico, a equipe decidiu mudar o formato, trazendo os passistas masculinos, que vinham atrás, para formar casais dentro da ala:

— Vínhamos comunicando que não queríamos coreografia, queríamos samba. Nos dois refrões, era para sambar o tempo inteiro. Ensaiamos para criar resistência para isso. Acabou casando com a visão do júri, mas vínhamos observando essa militarização da ala, com excesso de coreografias. Ser condecorado é o ponto forte e mostra que todo trabalho valeu a pena, ainda mais sendo o Estandarte. Para nós, é a nota máxima.

A Vila Isabel, que para os jurados do Estandarte de Ouro foi a melhor da terceira noite de desfiles na Sapucaí, foi premiada como melhor Samba-enredo, com “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, numa homenagem ao multiartista Heitor dos Prazeres. A composição é assinada por André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho.

Ao GLOBO, André Diniz disse que sempre confiou na capacidade de a arte de alto nível “mudar o sentimento das pessoas e o astral do mundo”. Ele disse que os compositores mudaram o próprio sentimento — de certa “amargura” com a agremiação e com o carnaval, nas palavras dele — para elaborar uma canção que passasse as melhores vibrações para componentes e espectadores e demonstrasse a gratidão a Heitor dos Prazeres.

— Foi uma explosão. Tenho 20 vitórias de samba-enredo na Vila Isabel. Eu nunca, na minha vida, vi as pessoas da minha escola passarem e não dizerem “ah, que samba bonito”, mas sim, “obrigado”. Só falavam “obrigado, obrigado”. Sempre confiamos na capacidade desse samba de mudar a energia do lugar, porque a gente colocou esse compromisso, e deu certo. O desfile foi mágico. Com esse prêmio, o samba é eterno. Por onde passar, haverá pessoas rindo, dançando. Que ele continue — destacou.

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A escola acrescentou um instrumento diferente em sua bateria neste ano, o tamborim quadrado. A novidade rendeu o prêmio na categoria Inovação do Estandarte.

Na categoria melhor Ala, a Imperatriz Leopoldinense conquistou com a “Bota pra ferver”, numa referência à música “Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua”, de Ney Matogrosso, figura homenageada neste ano pela escola de Ramos.

— O Estandarte de Ouro de melhor ala coroa o encontro de um diretor de harmonia disposto a revolucionar a ideia de como um componente deve se portar na pista e um carnavalesco que não quer a escola em que trabalha vista pela frieza da técnica. Na verdade, quem ganhou esse estandarte foi a liberdade pra brincar sem amarras e a fantasia que é convite pro corpo farrear sem abrir mão da beleza. Esse estandarte é dos componentes que desfilaram pra brincar e daqueles que trabalharam duro pra defender que a liberdade pra evoluir sem regra é um bem inegociável! — exautou o carnavalesco Leandro Vieira.

A tricolor Verde, Branco e Ouro também venceu na categoria Fantasias, categoria que volta, depois de só constar nos quatro primeiros anos.

— Fico feliz que o prêmio tenha celebrado o esmero de vestir o corpo alheio com refinamento e a ousadia das ideias que optam por caminhar na “contramão”. É bom, justo no ano em que optei pela radicalização de formatos e busquei novas formas pra realizar a tal “fantasia carnavalesca tradicional”, o júri do estandarte ter olhado para o meu trabalho enxergando qualidade e acenando acerto! —destaca o carnavalesco da Imperatriz .

Em seu primeiro ano sem Neguinho da Beija-Flor à frente do carro da Azul e Branco de Nilópolis, Jéssica Martin assumiu o microfone como puxadora, acompanhada por Nino do Milênio. Destaque como a única mulher no posto do Grupo Especial, Jéssica conquistou a categoria Revelação no Estandarte de Ouro deste ano.

— Acordei com as mensagens e ligações. É só gratidão e alegria no meu coração. Estou extremamente emocionada e grata à Beija-Flor e ao presidente Almir Reis por essa oportunidade. Por terem acreditado e confiado em mim para suceder Neguinho após 50 anos de um legado. Uma mulher, que quase não temos como intérpretes defendendo seus pavilhões — diz Jéssica.

Agora, ela espera que o reconhecimento pelo desfile e o Estandarte de Ouro abram portas para mais mulheres estarem à frente de suas escolas.

O prêmio dos jornais O GLOBO e Extra é considerado o “Oscar do sambista”. Criado em 1972 para homenagear aqueles que fazem a folia acontecer e lotam de cultura a Passarela do Samba, o Estandarte de Ouro premia os que se destacam nos desfiles das escolas de samba do Rio.

Na Série Ouro, a Unidos de Padre Miguel foi escolhida a melhor escola pelos jurados do Estandarte do Ouro; e o samba-enredo da União do Parque Acari foi o melhor de 2025. Na categoria Fernando Pamplona, que premia o uso de material barato com bom efeito visual, a láurea foi concedida à terceira alegoria da Vigário Geral (“Malassombro sertanejo”).

Estandarte de Ouro 2026: Unidos de Padre Miguel levou prêmio de melhor escola da Série Ouro — Foto: João Salles/Riotur
Estandarte de Ouro 2026: Unidos de Padre Miguel levou prêmio de melhor escola da Série Ouro — Foto: João Salles/Riotur

O Estandarte premia as escolas do Grupo Especial nas seguintes categorias: melhor escola, bateria, ala de passistas, samba-enredo, enredo, fantasias, comissão de frente, personalidade, ala, baianas, puxador, mestre-sala, porta-bandeira e destaque do público. Na Série Ouro, são concedidos os prêmios de melhor escola e melhor samba-enredo.

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Já as categorias revelação e inovação, no Grupo Especial, e Fernando Pamplona (uso de material barato com bom efeito visual), na Série Ouro, são prêmios especiais, que podem ou não ser concedidos conforme avaliação do júri.

O prêmio Destaque do Público será definido por votação on-line dos leitores, a partir de uma pré-seleção feita por jornalistas do GLOBO e do Extra. Cada agremiação do Grupo Especial terá um item indicado, e a votação será aberta aos internautas.

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Quem quiser assistir à entrega dos prêmios já pode comprar ingressos para o evento, marcado para 4 de março, a partir das 19h30, no Vivo Rio. No primeiro lote, que está à venda, as entradas são para mesas compartilhadas (setor 2), com cada cadeira custando R$ 170; a meia-entrada custa R$ 85.

Há ainda a pista (setor 3), com bilhetes a R$ 127, e meia a R$ 63,50. A comercialização é feita pelo site Ticket 360, através do link ticket360.com.br/evento/32582/ingressos-para-estandarte-de-ouro-2026. A atração musical da noite ainda será anunciada.

Confira abaixo todos os premiados:

  • Escola: Viradouro
  • Comissão de frente: Viradouro
  • Mestre-sala: Julinho, da Viradouro
  • Porta-bandeira: Cintya Santos, da Mangueira
  • Bateria: Unidos da Tijuca
  • Ala de passistas: Mocidade
  • Baianas: Paraíso do Tuiuti
  • Samba-enredo: Vila Isabel
  • Enredo: Viradouro
  • Personalidade do Ano: Mestre Ciça, da Viradouro
  • Melhor ala: Bota pra ferver, da Imperatriz Leopoldinense
  • Puxador: Igor Sorriso, do Salgueiro
  • Fantasias: Imperatriz Leopoldinense
  • Inovação: Tamborim quadrado, da Vila Isabel
  • Revelação: Puxadora de samba Jéssica Martin, da Beija-Flor de Nilópolis
  • Melhor escola da Série Ouro: Unidos de Padre Miguel
  • Melhor samba-enredo da Série Ouro: União do Parque Acari
  • Fernando Pamplona: Terceira alegoria da Vigário Geral (“Malassombro sertanejo”)

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Caio Rocha

Sou Caio Rocha, redator especializado em Tecnologia da Informação, com formação em Ciência da Computação. Escrevo sobre inovação, segurança digital, software e tendências do setor. Minha missão é traduzir o universo tech em uma linguagem acessível, ajudando pessoas e empresas a entenderem e aproveitarem o poder da tecnologia no dia a dia.

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